PIC apura caso de grampo no Palácio Iguaçu
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sábado, 30 de novembro de 2002
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Promotoria de Investigações Criminais (PIC) começou esta semana a ouvir depoimentos no caso de supostas escutas telefônicas clandestinas envolvendo o Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, e comitês da campanha eleitoral de 2000. Na terça-feira, a promotora Mônica Sakamori ouviu os depoimentos do advogado Peter Amaro de Sousa e do militar da reserva Luiz Antonio Jordão, que trabalhou, a partir de 1995, no Serviço de Inteligência da Casa Militar.
Ambos são personagens nas investigações em torno dos grampos, assunto apurado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonia, montada no ano passado pela Assembléia Legislativa e cancelada duas vezes pela Justiça. Nos depoimentos, tanto o advogado quanto o cabo Jordão fizeram basicamente as mesmas revelações apresentadas aos deputados.
Jordão foi o primeiro a denunciar um esquema de escuta telefônica que teria sido montado no quarto andar do Palácio Iguaçu que nega, por sua vez, qualquer envolvimento com escutas ilegais. Em seu depoimento na PIC, Jordão declarou que essas escutas aconteceriam independentemente de autorização judicial, e teriam finalidade político-eleitoral. Sousa faz a defesa de Jordão.
Também teriam sido instalados grampos na campanha eleitoral de 2000 em comitês da oposição: do PMDB e do candidato do PT à prefeitura de Curitiba, deputado estadual reeleito Angelo Vanhoni.
A reabertura das investigações é uma resposta a um pedido da Procuradoria Geral da República, que recebeu no ano passado um pedido formal de apuração dos fatos da assessoria jurídica de Vanhoni. O deputado acredita ter sido vítima de espionagem. O Ministério Público Federal resolveu remeter os autos para que a PIC ouvisse as testemunhas.
Todas essas denúncias de escutas telefônicas em comitês eleitorais e em prédios públicos foram investigadas preliminarmente pela CPI, suspensa por força judicial no dia 17 de junho de 2001. A interdição dos trabalhos aconteceu porque o Tribunal de Justiça (TJ) entendeu que a CPI mudou o objeto de suas apurações, o que seria irregular.
A princípio, a comissão investigaria problemas entre empresas telefônicas e usuários, e acabou concentrando o foco na investigação de grampos após denúncia feita por Jordão em entrevista exclusiva à Folha da existência de um esquema de escuta telefônica no Palácio Iguaçu sob o suposto comando do então secretário especial da Chefia de Gabinete do governador, Gerson Guelmann, e com o conhecimento do secretário-chefe da Casa Militar, coronel Luiz Antonio Borges Vieira.
Na época, Guelmann chegou a pedir demissão por causa do escândalo, mas o governador Jaime Lerner (PFL) não aceitou. Guelmann e Vieira negam qualquer relação de seus nomes com o suposto esquema e dizem desconhecer qualquer esquema de escuta telefônica dentro ou fora do Palácio Iguaçu.


