Piana disse ignorar que evento onde pediu votos a Bolsonaro era do TCE
Em Londrina, vice-governador afirma que houve “precipitação” e que não fez ato por “maldade”; PT moveu ação por improbidade administrativa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de novembro de 2022
Em Londrina, vice-governador afirma que houve “precipitação” e que não fez ato por “maldade”; PT moveu ação por improbidade administrativa
Simoni Saris - Grupo Folha 

O vice-governador do Paraná, Darci Piana (PSD), afirmou nesta quinta-feira (3) em Londrina desconhecer que o evento do qual participou no início de outubro e pediu votos para o presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) havia sido organizado pelo TCE-PR (Tribunal de Contas do Estado do Paraná). O caso foi alvo de denúncia de partidos da oposição, que viram na atitude de Piana, então governador em exercício, a prática de crimes contra a administração pública, improbidade administrativa e abuso de poder político.

No último dia 10 de outubro, o TCE promoveu o seminário técnico Nova PCA: Cenários para Prefeitos e Vereadores, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, destinado a esclarecer dúvidas de representantes municipais a respeito das prestações de contas anuais. Piana esteve presente na abertura do evento e aproveitou sua fala para pedir votos a Bolsonaro.
“Eu não posso deixar de fazer um comentário de que nosso governador me ligou lá dos Estados Unidos fazendo um pedido muito especial – e se eu não fizer isso nosso deputado federal Ricardo Barros (PP) vai me pegar ali fora: eu quero pedir a todos vocês para um segundo turno voltado às necessidades deste país. Nós não podemos perder a visão de futuro, a visão da tranquilidade política deste país, principalmente na questão da vida do nosso país. Então, a gente pede um esforço muito grande a todos vocês que nos ajudaram a fazer um pouco mais ainda do que fizeram conosco para a gente fazer com que neste segundo turno a gente consiga levar o 22 à Presidência da República”, disse Piana ao se dirigir aos prefeitos e vereadores presentes. O vídeo com a fala do governador em exercício foi compartilhado pelo PT do Paraná nas redes sociais.
Ricardo Barros, também presente no evento, é o líder do presidente na Câmara Federal. E Ratinho Junior (PSD), então recém-eleito para um segundo mandato, havia viajado com a família para a Disneylândia, nos Estados Unidos, para descansar.
“Eu fui convocado de última hora. Estava indo para um evento e a informação que eu recebi era de um evento da Associação dos Municípios do Paraná. Eu cheguei, fui chamado na hora que eu estava entrando. Achei que era um evento dos municípios do Paraná. Agora, não fiz aquilo por maldade, fiz primeiro para agradecer os votos na nossa eleição e depois pedi voto, como o governador do Estado do Paraná pediu durante a campanha toda. Houve uma precipitação ali, mas foi involuntária. Se eu soubesse que era um evento do TCE eu não teria dito aquilo”, justificou Piana nesta quinta-feira, durante participação em um evento promovido pela Codel, na Prefeitura de Londrina.
ENTENDIMENTO DIFERENTE
A Federação do PT, PCdoB e PV no Paraná teve um entendimento diferente e denunciou Piana, acusado pela oposição de praticar crimes. “Usou um evento de órgão público, realizado com dinheiro público, para pedir explicitamente votos para Jair Bolsonaro no segundo turno”, disse o PT, que estava em campanha no Estado pela eleição em segundo turno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Seu adversário na disputa, Bolsonaro é aliado de Ratinho Junior.
O PT disse ainda que embora o objetivo do evento fosse tratar da prestação anual de contas dos municípios, “Darci Piana não perdeu a oportunidade de fazer politicagem na tentativa de convencer os presentes a votar no candidato que Ratinho Junior apoia”, o que configuraria crime eleitoral.
O presidente do PT no Estado, o deputado estadual Arilson Chiorato, informou que ainda não houve manifestação do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) após as denúncias feitas pelo partido contra Piana.
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