Curitiba - A Procuradoria Geral da República (PGR) quer desmembrar o inquérito 2652 que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o prefeito de Londrina, Homero Barbosa Neto (PDT), e o deputado federal Hidekazu Takayama (PSC). O inquérito, conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF), é um ''braço'' das investigações que correm sobre o suposto ''esquema gafanhoto'', no qual agentes públicos teriam se beneficiado com parte das remunerações de funcionários públicos ''fantasmas'' da Assembleia Legislativa do Paraná. Barbosa e Takayama teriam se envolvido no suposto caso quando cumpriam mandatos de deputados estaduais.
A manifestação da PGR ocorreu no último dia 13. A Reportagem apurou que o pedido de desmembramento da PGR, que ainda deve ser analisado pelo ministro relator do inquérito no STF, Menezes Direito, ocorre em função da mudança de cargo público de Barbosa Neto, que renunciou ao mandato de deputado federal para assumir a Prefeitura de Londrina.
Se o relator concordar com o argumento da PGR, o inquérito contra o pedetista pode seguir para o Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná ou para o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região. A dúvida seria quanto aos supostos crimes cometidos: peculato, estelionato qualificado e sonegação de tributos federais. Se o MPF continuar com a investigação sobre sonegação de tributos fiscais, que é um crime federal, o caso passa a ser tratado no TRF4. Caso contrário, corre no TJ.
O pedetista e Takayama estavam sendo investigados via STF porque, embora o suposto ''esquema gafanhoto'' tenha ocorrido numa época em que eles atuavam no Legislativo paranaense, os dois já exerciam cargos de deputados federais quando o MPF acrescentou os nomes de ambos na apuração dos fatos.
O procedimento investigatório foi aberto pelo MPF em 12 de maio de 2005, mas Barbosa foi citado na investigação em fevereiro de 2007. Takayama foi citado antes pelo MPF, em data não mencionada nos documentos obtidos pela Reportagem.
Os dois integram uma lista de 63 deputados estaduais e ex-deputados estaduais que são citados pelo MPF como envolvidos no suposto ''esquema gafanhoto''. Além dos políticos, a investigação cita 450 servidores públicos. O caso corre em segredo porque envolveria quebra de sigilo fiscal e bancário de envolvidos.
O advogado de Barbosa, Antônio Carlos Mendes, comentou com a Reportagem que, inicialmente, a mudança de esfera no Judiciário ''não traria modificações ao processo''. ''Não vejo nenhum prejuízo ou ganho. É uma prerrogativa de foro pela função que ocupa'', resumiu ele. Mendes afirma que Barbosa ainda nem foi ouvido pela investigação, mas afirmou que, em conversas particulares, o pedetista alega desconhecer completamente o suposto ''esquema gafanhoto''.
Barbosa estava prestes a ser ouvido pela Polícia Federal, por determinação do ministro relator Menezes Direito, quando a comunicação sobre sua mudança de cargo público foi feita ao STF. A determinação do STF é do mês passado.
O advogado de Takayama, Luciano Sales Oliveira, alega que o deputado federal ''é inocente'' e enfatizou que, apesar do procedimento investigatório ter sido aberto em 2005, até agora não há oferecimento de denúncia, o que, segundo ele, ''indica ausência de indícios suficientes''.

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