Brasília - Após a operação que prendeu na quarta-feira o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) e o banqueiro André Esteves, a Procuradoria Geral da República (PGR) começa a analisar dados dos celulares deles, que foram apreendidos durante a busca e apreensão realizada pela Polícia Federal. O banqueiro e o senador foram presos sob a acusação de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. As informações contidas nos aparelhos devem ajudar os procuradores a avançar no vínculo entre o banqueiro e o grupo que planejava pagar mesada de R$ 50 mil para evitar a delação premiada do ex-diretor Nestor Cerveró. Segundo a PGR, a ação seria bancada pelo banco BTG Pactual, de Esteves. Como os investigados encontram-se presos cautelarmente, os investigadores definiram como prioridade a análise do material apreendido, para finalizar a denúncia que será apresentada ao Supremo Tribunal Federal.
A partir dessa análise, os procuradores devem definir se pedirão a conversão da prisão temporária (válida por cinco dias) do banqueiro em preventiva. O mandado de busca e apreensão previa que, além de pegar os aparelhos, que os policiais federais obtivessem dos presos o desbloqueio dos telefones e as senhas de aplicativos de trocas de mensagem. Delcídio deve ser acusado de crime de exploração de prestígio e de obstruir investigações de organização criminosa.
A previsão é que a denúncia seja protocolada no Supremo na próxima segunda-feira, considerando um prazo de cinco dias após a prisão. Os procuradores ainda analisam se poderão tentar a prorrogação do prazo ou se farão a denúncia mesmo na segunda. Isso porque a situação de um réu preso em medida cautelar no STF é considerada "inédita" para a PGR e, por isso, não há clareza sobre os prazos processuais.
Delcídio foi gravado em uma reunião no último dia 4 com o filho de Cerveró, Bernardo, e o advogado, Edson Ribeiro, combinando ficar de fora da delação do ex-diretor e ainda discutindo um plano de fuga dele no país. A gravação embasou um pedido de prisão da PGR. Também foi preso o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira. Edson Ribeiro teve ordem de prisão expedida, mas se encontra no exterior.

DEPOIMENTO

Em depoimento ontem na sede da Polícia Federal do Rio, o banqueiro André Esteves disse conhecer o senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado, apenas "institucionalmente". Segundo Esteves, eles se encontraram cinco vezes, sendo a última na sede do BTG, em São Paulo. Segundo Esteves, as conversas com Delcídio trataram da situação econômica do país e a possível recriação da CPMF. A última teria ocorrido há cerca de um mês. Segundo o banqueiro, eles nunca falaram sobre a Lava Jato.
Ontem, o banqueiro almoçou uma quentinha com macarrão, carne, arroz e feijão numa cela da Superintendência da Polícia Federal, no centro do Rio. O STF também determinou que ele seja encaminhado para o presídio Ary Franco, na zona norte do Rio de Janeiro.

CERVERÓ

Por motivo de segurança, o ex-diretor da área Internacional da Petrobras Nestor Cerveró foi transferido para Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba. Cerveró estava custodiado no Complexo Médico-Penal de Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba). O ex-diretor, condenado a mais de 18 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, firmou acordo de delação premiada no último dia 18 com a Procuradoria-Geral da República.

mockup