PGR contará com nova força-tarefa
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Uma nova força-tarefa integrada por procuradores e promotores foi criada para auxiliar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na abertura de inquéritos referentes às pessoas citadas na Operação Lava Jato com foro privilegiado, e embasar as futuras denúncias que serão apresentadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme portaria assinada na última segunda-feira por Janot, o grupo de trabalho, com prazo de atuação inicialmente para seis meses, vai trabalhar em paralelo à força-tarefa já instituída no Paraná.
Segundo a PGR, os dois grupos vão atuar em cooperação. Além do procurador Andrey Borges de Mendonça, que participava da força-tarefa no Paraná, também integram o grupo de trabalho junto à Procuradoria os procuradores regionais da República Douglas Fischer e Vladimir Aras; além dos procuradores da República Bruno Freire de Carvalho Calabrich, Fábio Magrinelli Coimbra e Rodrigo Telles de Souza; e dos promotores de Justiça Sérgio Bruno Cabral Fernandes e Wilton Queiroz de Lima. A coordenação do grupo será exercida pelo procurador Douglas Fischer.
Atualmente, a força-tarefa que atua nas investigações no Paraná conta com nove procuradores. São eles: Carlos Fernando dos Santos Lima, Deltan Martinazzo Dallagnol, Orlando Martello Jr., Januário Paludo, Diego Casto de Mattos, Antônio Carlos Welter, Roberson Henrique Pozzobon, Paulo Roberto Galvão de Carvalho e Athayde Ribeiro Costa.
Os trabalhos do grupo em Brasília devem ser iniciados a partir do pedido de instauração de inquéritos feitos pela PGR ao Supremo, o que deve ocorrer em fevereiro. E, como os inquéritos correm em sigilo, a expectativa de que a lista de políticos citados nas delações de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e do doleiro Alberto Youssef, fosse divulgada já a partir do próximo mês deve ser frustrada. Os nomes dos envolvidos com foro privilegiado devem ficar resguardados pelo menos até o indiciamento dos citados, o que deve levar mais tempo do que vem sendo divulgado.
Políticos do PP, PMDB e PT teriam sido os principais citados nas delações premiadas. Mas acredita-se que integrantes de outros partidos também possam ter sido citados nos depoimentos. Segundo informações replicadas na mídia, o ex-diretor da estatal teria citado ao menos 28 pessoas, entre elas ex-ministros, deputados, senadores e ex-governadores.
Conforme a FOLHA apurou, boa parte dos nomes indicados por Costa foram reforçados pelo doleiro em sua delação. Entretanto, o número de pessoas mencionadas por Youssef é maior, até porque atuando como um dos maiores operadores do esquema de desvios de recursos públicos, o londrinense possuía mais ligações no meio político, principalmente com representantes do PP.
A partir da homologação da delação de Youssef (dezembro do ano passado), o ministro do STF, Teori Zavascki, decidiu pela cisão do feito, ou seja, desmembrou o conteúdo dos depoimentos e as pessoas citadas pelos delatores que possuem foro privilegiado, ficaram em Brasília, e as demais informações sobre outros envolvidos (executivos, outros doleiros e envolvidos na Lava Jato) retornaram para a primeira instância, no Paraná. A expectativa é de que a PGR deve pedir abertura de investigação individual para cada suspeito com foro privilegiado. Seria uma estratégia para evitar a lentidão costumeira no trâmite dos processos com muitos réus. Quanto mais réus, maior a possibilidade de os advogados solicitarem diferentes testemunhos, protelações e perícias, o que, por vezes, pode resultar em prescrição do processo.
Licença para investigar não significa denúncia, mas apenas permissão para averiguar se a delação feita pelos informantes tem fundamento. Os procuradores serão cautelosos porque pode haver resistência a divulgar nomes. Não serão investigadas, por exemplo, delações sobre pessoas que não vieram acompanhadas de outros indícios. "Se o procurador-geral tiver provas suficientes para denunciar, ele pode eventualmente fazer isso, mas acho difícil. Por isso, é necessário dar uma diminuída na expectativa para se ter acesso aos nomes dos envolvidos. O inquérito é sigiloso e estou vendo que o pessoal não percebe o nível da expectativa que se cria", disse uma das fontes envolvidas nas investigações.


