Brasília - O PFL não está disposto a sentar na mesa de negociações com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu segundo mandato. Durante reunião da Executiva Nacional do partido na tarde de ontem, o PFL decidiu manter a postura de oposição dura ao governo federal nos próximos quatro anos.
O presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), disse que o PFL vai utilizar o Congresso Nacional como ''trincheira'' contra o governo federal. Bornhausen deixou claro que os pefelistas não estão dispostos a dialogar com Lula. Disse apenas que o partido se compromete a votar projetos de interesse nacional.
''Nós não atravessaremos a rua (para o Palácio do Planalto). A nossa trincheira é o Congresso Nacional. O presidente poderá conversar através de seus líderes no Congresso'', disse Bornhausen.
O presidente do PFL reconheceu que o governador eleito do Distrito Federal, José Roberto Arruda, terá que negociar com o presidente assuntos referentes à administração regional. ''Ele tem a missão de bem administrar o Distrito Federal. Sempre que chamado deve atender ao apelo do presidente aos governadores'', disse.
Sobre a reeleição de Lula, Bornhausen afirmou que o partido respeita o resultado das urnas, considerado por ele como ''legítimo''. Mas ressaltou que, com o governo federal nas mãos do PT, o caminho escolhido pelos brasileiros para o PFL é a oposição.
Bornhausen minimizou os resultados contrários ao PFL nas eleições do último domingo. Ele comemorou a eleição de parlamentares pefelistas ao Congresso, mesmo com a redução no número de governadores eleitos - apenas Arruda no Distrito Federal. ''O PFL aumentou a sua bancada no Senado, elegeu um deputado a mais, tinha dois governadores e elegeu um. Houve um equilíbrio. Temos o nosso espaço e vamos cumprir o nosso dever'', disse.
O presidente do PFL disse que o partido vai, agora, cumprir o que chamou de um ''novo ciclo''. Ele defendeu a união com o PSDB, mas disse que, nas eleições municipais de 2008, o PFL vai reivindicar candidatos próprios. ''Queremos a reeleição à prefeitura de São Paulo, a menos que o instituto da reeleição venha a ser modificado'', reconheceu.
Na opinião de Bornhausen, PSDB e PFL são dois partidos ''independentes'' que podem se coligar, mas têm vida própria. ''Cada um tem o comportamento na direção que achar conveniente'', encerrou.

mockup