PFL vai decidir impeachment de Vieira
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sexta-feira, 13 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
A cúpula do PFL quer fechar questão em favor do impeachment do governador de Santa Catarina, Paulo Afonso Vieira (PMDB), envolvido em irregularidades na emissão de títulos públicos para pagar precatórios. O afastamento do governador e seu vice, José Augusto Hulse (PMDB), tem o apoio de 5 dos 8 deputados da bancada estadual pefelista.
Os dirigentes trabalham pela unidade. Há problemas, mas o partido já se afastou do governador e a tendência é por uma decisão partidária em favor do impeachment, disse o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE). O empenho da cúpula não é casual. A bancada do PFL é o fiel da balança na Assembléia Legislativa, onde o governador Paulo Afonso precisa obter 14 votos para impedir a aprovação de seu impeachmente. Sozinho, o PMDB do governador tem apenas 11 votos. A decisão do PFL será tomada na reunião da Executiva Regional, dias 23.
As articulações estão sendo comandadas de perto pelo ex-governador Antônio Carlos Konder Reis, e à distância pelo embaixador brasileiro em Portugal, Jorge Bornhausen, que promete presença na reunião da executiva no dia 23. Além das questões processuais levantadas pelas Comissões Parlamentares de Inquérito encarregadas de apurar as denúncias em Brasília e em Santa Catarina, pesam as pesquisas encomendadas pelo partido, segundo as quais 70% da população catarinense quer o impeachment.
O partido vive do povo e todo o cuidado é pouco, já que os problemas do PFL somam exatamente os três votos de que Paulo Afonso precisa para permanecer no cargo, raciocina um dirigente estadual. Na contabilidade da cúpula pefelista, são apontados como indecisos os deputados Ciro Rosa, Onofre Agostini e Norberto Stroich.
O relator do inquérito local é o pefelista Júlio Teixeira, que propôs o impeachment duplo do governador e seu vice. Aprovado o impedimento, o presidente da Assembléia, Francisco Kuster (PSDB), terá de assumir o governo até que seja julgado o processo de cassação. O comando do processo ficará com o presidente do Tribunal de Justiça do Estado. E se a decisão final for a cassação, os 40 deputados estaduais terão de escolher outro governador para o mandato tampão de um ano e meio. A eleição será indireta e o poder poderá sair das mãos dos políticos para o presidente do Tribunal de Justiça, que é o terceiro da linha sucessória.
O PFL, que teria boas chances de assumir o poder no Estado com o enfraquecimento simultâneo do PMDB e do PPB, atingidos pelo mesmo escândalo dos precatórios, adotou a prudência como palavra de ordem. A cúpula do partido avalia que assumir o governo seria uma operação de alto risco político, diante do pouco tempo que o substituto de Paulo Afonso terá para mostrar trabalho.


