Brasília- Sem maioria mas com fôlego de oposição barulhenta, o PFL conseguiu ontem adiar por quase cinco horas o início das discussões sobre a reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara. Apesar da determinação dos líderes governistas para votar rapidamente a reforma, os pefelistas aproveitaram o regimento da Casa para pôr em prática sua tática de obstrução da sessão apresentando requerimentos propondo o adiamento da discussão do relatório do deputado José Pimentel (PT-CE) sobre a reforma. Por isso, apesar da sessão da Comissão ter começado às 10 horas, as discussões sobre a reforma só se iniciaram às 14h47.
A estratégia usada ontem pelos pefelistas foi a mesma que o PT costumava usar durante o governo Fernando Henrique Cardoso durante a votação das reformas da Previdência e administrativa. O PFL apresentou 10 requerimentos, todos de autoria do deputado Onyx Lorenzoni (RS) e com propostas de prazos diferentes, solicitando adiamento da sessão. Apenas dois foram votados nominalmente - um do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e outro dos pefelistas. Nas duas votações o governo mostrou que tinha maioria folgada na comissão para aprovar a reforma. Mas terá que conviver com as sucessivas tentativas da oposição de atrasar o calendário da Previdência.
Ao contrário dos tucanos, o PFL fez muito barulho. A cada requerimento, os pefelistas faziam discursos inflamados contra a proposta e contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Tudo sob os aplausos de cerca de 50 manifestantes que conseguiram entrar no plenário da Comissão. O PSDB acompanhou timidamente a tática do PFL, mas deixou claro que os tucanos vão votar favoravelmente à reforma. ''Se depender do PSDB encerramos a votação da reforma o mais rápido possível'', afirmou o líder do partido, deputado Jutahy Magalhães Júnior (BA).

mockup