Especialista em operar o poder em tempos de crise, o PFL prepara-se agora para faturar espaço e prestígio político no governo por conta do episódio da queda das bolsas de valores no mercado mundial. ‘‘O partido cresce na hora da crise’’, resumiu o presidente do PFL, deputado José Jorge (PE), um dos representantes da cúpula pefelista que ajudou o Palácio do Planalto a montar a estratégia para atravessar a turbulência financeira.
Os cardeais do PFL ocuparam o gabinete do presidente Fernando Henrique Cardoso na tarde de anteontem. Não faltou sequer o presidente licenciado do partido, Jorge Bornhausen, que deixou o posto de embaixador em Lisboa para tratar da conjuntura nacional. O objetivo do encontro foi o de transformar o fato negativo da queda das bolsas de valores em agenda positiva e o caminho escolhido foi o de apressar a votação das reformas constitucionais.
‘‘Já que os fatos negativos são inevitáveis na política, o jeito é tirar proveito deles e administrar a crise, fazendo do limão uma limonada’’, ponderou, pragmático, Jorge. Ontem, enquanto o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), debatia com Fernando Henrique e os líderes no Congresso as alternativas regimentais para acelerar as reformas, o ministro tucano das Comunicações, Sérgio Motta, aguardava o desfecho da reunião na ante-sala do gabinete presidencial.
Na conversa com o Fernando Henrique, os dirigentes do PFL reconheceram que o problema da lentidão das reformas resulta mais das regras de tramitação das emendas constitucionais do que da falta de voto. Mas o PFL quer estar à frente do movimento pró-reformas e se adiantou na garantia ao presidente de que, nas votações das reformas administrativa e previdenciária, emperradas no Congresso há mais de dois anos, terá os votos do partido para aprová-las.
O embaixador Bornhausen lembrou que o momento político facilita o fechamento de questão para aprovar as reformas, o que expõe os dissidentes ao risco de expulsão. Quem não tiver o abrigo de uma legenda pelo menos um ano antes das eleições gerais de outubro do ano seguinte não poderá participar da disputa. Assim, daqui até lá, ninguém pode se dar ao luxo de trocar de partido.
Motta ficou fora da reunião das reformas ontem, mas o PSDB participará do esforço. Os tucanos sustentam que saíram na frente, até porque a conversa deles com Fernando Henrique no Planalto aconteceu na semana passada, quando ACM e o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), se encontravam em Nova York. ‘‘Não queremos intriga com o PFL porque estamos nessa juntos’’, resumiu o vice-presidente do PSDB, deputado Arnaldo Madeira (SP).

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