PFL usa baixo clero para sabotar Campos
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de janeiro de 1997
Agência Estado, De Brasília 
O PFL preparou uma arapuca para combater as candidaturas de Prisco Viana (PPB-BA) e Wilson Campos (PSDB-PE) à presidência da Câmara. Para anular ambos, que têm apoio do chamado baixo clero e das oposições, o partido decidiu apresentar cinco nomes de características muito semelhantes aos dois, todos capazes de tirar votos de um ou de outro candidato independente.
Ao compor o chapão de Michel Temer (PMDB-SP) com duas vagas - a primeira vice-presidência e a quarta secretaria -, o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE), apontou cinco nomes do alto baixo clero do PFL: Aracely de Paula (MG), Efraim Morais (PB), Heráclito Fortes (PI), Luciano Pizzato (PR) e Saulo Queiroz (MS). Temer é o candidato a presidente da Câmara do Palácio do Planalto. Além do PFL, tem o apoio do PSDB.
Os líderes dos partidos aliados ao governo já têm uma fórmula regimental para afastar o tucano Wilson Campos da disputa. Trata-se do impedimento legal de registro de candidatura de partido que disputa em outra chapa. O PSDB apóia oficialmente o nome do deputado Ubiratan Aguiar (PSDB-CE) para a primeira secretaria da Câmara, no chapão de Michel Temer. Mas, para se prevenir, Inocêncio Oliveira resolveu atacar Wilson Campos no terreno do baixo clero.
O PPB, que deu apoio oficial a Prisco Viana, não apontará nenhum candidato ao chapão de Temer. Por isto, é tranquilo o registro da candidatura de Prisco Viana, pois o regimento prevê chapas de partidos que não disputam nenhuma vaga em outra chapa. Há dois anos, o então presidente da Câmara, Inocêncio Oliveira, negou registro ao deputado Paulo Paim (PT-RS), que insistia em ocupar a quarta secretaria na chapa vitoriosa de Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA). É que o PT tinha José Genoíno (SP) disputando a presidência da Câmara. Paim recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e perdeu. A vaga ficou para o PPB.
No caso atual, a vaga de segundo vice-presidente caberia ao PPB do ex-prefeito Paulo Maluf, por ser o terceiro maior partido na Câmara. Como o partido tem candidato próprio, o lugar está destinado ao PT. Até a data final do registro de candidatura, em fevereiro, o PT poderá apresentar o nome do partido para a vaga, caso queira.
Os deputados Humberto Costa (PT-PE) e Marcelo Deda (PT-SE) estão trabalhando para que o PT feche com a chapa de Prisco Viana. O deputado José Genoíno (SP), mais experiente, acha que não vale a pena fazer a composição. Genoíno é a favor de o PT não participar da Mesa da Câmara. Acabaríamos sendo transformados em uma espécie de fiscal de tudo, o que seria muito chato, afirmou Genoíno. Se o PT quiser participar do chapão, Michel Temer e Inocêncio Oliveira darão o cargo de corregedor-geral para o partido. É um aceno ao deputado Hélio Bicudo (PT-SP), que luta pela ética e pelo respeito ao decoro na Câmara.
O líder do PFL pretende fazer um debate com os cinco candidatos do partido para definir quem ficará com a primeira vice-presidência e com a quarta secretaria do chapão. Os candidatos do partido:
Aracely de Paula - Foi o relator do projeto de lei que legaliza os cassinos e o jogo do bicho no País. A proposta foi aprovada na Câmara dos Deputados e está no Senado. O tema não pode ser debatido no período extraordinário, por não constar da pauta. Será incluído na ordem do dia a partir de fevereiro.
Efraim Moraes - É um dos parlamentares mais corporativos do Congresso, o que lhe dá poder de barganha semelhante ao de Wilson Campos. Foi dele a iniciativa de não mais se exigir de senadores e deputados o domicílio eleitoral. A emenda, apresentada quando do exame do projeto de lei da eleição municipal do ano passado, foi rejeitada.
Heráclito Fortes - É o deputado que decide os empréstimos pessoais do Instituto de Previdência dos Congressistas (IPC) para os colegas em situação financeira difícil. Enquanto o IPC não for extinto, terá grande poder de barganha com todo mundo.
Luciano Pizzato - Embora do PFL, atua com muita desenvoltura entre os parlamentares de esquerda, que defendem as minorias. Já fez dupla com o atual secretário do estadual do Meio Ambiente de São Paulo, Fábio Feldman, na defesa dos índios, principalmente da reserva ianomami, em Roraima e no Amazonas.
Saulo Queiroz - Já foi um dos nomes fortes do PSDB. Deixou o partido e se transferiu para o PFL quando o então presidente tucano Pimenta da Veiga brigou com o ministro das Comunicações, Sérgio Motta. Integra a bancada que faz o lobby do Banco do Brasil.


