Bem ao contrário do que a tradição governista do PFL pode sugerir, o partido está levando o desafio de ser oposição além dos rompantes oposicionistas do senador Antonio Carlos Magalhães (BA). Consciente de que esta nunca foi sua vocação, o PFL está preparando seus filiados para ‘‘aprenderem’’ a fazer oposição aos governos estaduais e municipais comandados por adversários, especialmente por petistas e tucanos, que passaram a ser rivais constantes do partido no poder local. Até a Escola Nacional de Gestores do PFL será usada para formar quadros de oposição.
Imprensado pelo PMDB e pelo PSDB no Executivo federal, e internamente por ACM, que insiste nos ataques ao governo, o PFL quer mostrar a si mesmo que, embora criado dentro do poder, também tem competência para ser oposição. Prova disso é a própria Escola de Gestores, ligada ao Instituto Tancredo Neves, de estudos e pesquisas do partido. Quando começou a funcionar, na campanha municipal do ano passado, a escola serviu para orientar candidatos do PFL e prepará-los para ser bons administradores.
A idéia era investir no marketing do partido que sabe ser governo. As experiências bem-sucedidas das administrações pefelistas foram exibidas e discutidas em sistema fechado de televisão, com a participação dos cardeais do partido, incluindo ACM e o vice-presidente Marco Maciel, em debates transmitidos via satélite para candidatos calouros em todo o Brasil.
A estratégia agora é outra. Responsável pela escola, o chefe do Gabinete Civil do governo do Paraná, Alceni Guerra, tem participado de todas as reuniões da executiva nacional e ajudado a desenvolver o novo ideário pefelista. ‘‘Nós somos pós-graduados em governo, mas ainda estamos na pré-história da trilha oposicionista e não estamos preparados para trabalhar em um ambiente de oposição’’, reconhece Alceni.
Em outra frente, o projeto oposicionista do PFL tem o engajamento de ninguém menos do que o filho e herdeiro político do presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC). O deputado estadual Paulo Bornhausen desenvolve um projeto para montar cursos de política em parceria com professores da Universidade Federal de Santa Catarina. No cardápio, disciplinas que encantam os petistas acostumados a ‘‘patrulhar’’ as administrações dos adversários, como a fiscalização e o controle das contas públicas.
A guinada do partido foi marcada pela guerra pessoal de ACM com o senador Jader Barbalho (PMDB-BA). Nessa disputa, saiu-se melhor o peemedebista, que venceu a eleição para a presidência do Senado, deixando para trás o candidato apoiado pelos pefelistas – Arlindo Porto (PTB), que representou a ‘‘terceira via’’, lançada na última hora – e também Jefferson Peres (PDT-AM).
O senador baiano sofreu outra derrota na Câmara, onde o partido não conseguiu emplacar seu candidato. O senador Inocêncio Oliveira (PFL-PE) acabou levando uma ‘‘surra’’ do tucano Aécio Neves (MG). O resulta das eleições na Câmara e no Senado acabou aproximando o PMDB do governo de Fernando Henrique Cardoso e pode ter reflexos nas eleições de 2002.

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