Leandro Donatti
O PFL quer ver o prefeito de Londrina, Antonio Belinati, filiado no partido até o final deste mês. O ‘‘namoro’’ começou há duas semanas, num encontro reservado no Palácio Iguaçu, em Curitiba. Avalizados pelo governador Jaime Lerner (PFL), o presidente estadual do partido, João Elísio Ferraz de Campos, e o deputado federal Affonso Camargo fizeram o convite ao prefeito, que ainda analisa a oferta.
A estratégia do PFL é atrair nomes de peso para as eleições municipais do ano que vem, ainda mais que a reeleição para os prefeitos tem sido vista como um ponto pacífico no Congresso. O partido quer vencer nos principais colégios eleitorais do Estado: Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. O Palácio Iguaçu e o PFL estão dispostos a sacrificar, com a filiação de Belinati, o sonho do secretário do Trabalho (também de Londrina, e que foi vice de Belinati na prefeitura), Alex Canziani (PFL), de concorrer à Prefeitura.
A cúpula do PFL não confirma, mas, nos bastidores, teria oferecido em troca da filiação a dissolução do diretório municipal do PFL em Londrina, hoje comandado por Canziani. O PFL quer dar garantias ao prefeito de que, no partido, não terá concorrentes internos. O partido também entende que o prefeito não tem muitas opções partidárias a seguir. Ainda mais que dentre os projetos de Belinati está o de disputar, com o prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi, e o ministro de Esportes Rafael Greca, indicação à sucessão de Lerner em 2002.
‘‘O PSB e o PDT são siglas pequenas, que não comportam o projeto político do prefeito. O PPB não tem muito tempo no horário eleitoral e já é um aliado garantido. O PSDB tem pré-candidato, o deputado federal Luiz Carlos Hauly. E o PMDB não viu com muito entusiasmo a possibilidade de Belinati entrar na sigla, hoje comandada pelo senador Roberto Requião’’, avaliou uma fonte pefelista.
O prefeito de Londrina não quis abrir o jogo ontem. Ele quer valorizar o seu passe. Belinati disse que analisa o convite do PFL, assim como os convites feitos pelo PSB, PL, PPB, PTB e, segundo ele, por uma ala do PMDB. Antonio Belinati voltou a prometer o fim da novela em torno da sua filiação. Dessa vez, o prazo limite fixado foi o dia 26 de junho. Belinati está sem sigla desde o final do ano passado, quando deixou o PDT por pressão da cúpula que o ameaçava de expulsão por ter apoiado à reeleição de Lerner.
‘‘Se o meu caminho for para o PFL, não quero atropelar ninguém’’, disse, numa referência a Canziani. ‘‘Tenho de entrar num partido que não cause mal estar’’, emendou. Diante das negociações avançadas entre o PFL e o prefeito, Alex Canziani disse ontem que não tem disposição em concorrer à Prefeitura, caso a filiação de Belinati se concretize. ‘‘Sou candidato a um bom secretário, no momento’’, afirmou. Para Canziani, a dissolução do diretório municipal do PFL em Londrina é questão descartada. ‘‘Fui eleito por uma convenção e disso não abro mão. Frente ao diretório não criaria dificuldades para ninguém’’, observou.Partido, que dá como certa a aprovação da reeleição para o ano que vem, quer definir a filiação até final deste mês
Arquivo FolhaMais mistérioBelinati deve definir nova sigla ainda em junho: ‘‘Tenho de entrar num partido que não cause mal estar’’

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