PFL tenta adiar a eleição na Câmara
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domingo, 11 de fevereiro de 2001
Andréa Michael e Denise Madueño Agência Folha De Brasília 
O PFL deve formalizar hoje o pedido de adiamento das eleições para a presidência da Câmara. Trata-se de um ato desesperado dos pefelistas na tentativa de ganhar tempo para reverter o quadro eleitoral na Câmara, em que o candidato tucano, Aécio Neves (MG), é favorito em relação ao pefelista Inocêncio Oliveira (PE). A idéia surgiu de conversas entre lideranças do partido que passaram o final de semana em Brasília e tem o aval do presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC).
Se concretizada, a iniciativa do PFL endossará a posição do presidente do PT, deputado José Dirceu (SP) que afirmou não ser possível dar continuidade ao processo eleitoral na Câmara antes de se apurar a veracidade do conteúdo de gravações em que quatro deputados federais da Bahia receberam vantagens financeiras para se filiarem ao PMDB três são do PFL.
O pedido de adiamento que os pefelistas devem levar ao STF será sustentado em um argumento aritimético: se não tivessem perdido três parlamentares para o PMDB, em 15 de dezembro teriam 106 deputados, contra 105 do PSDB. Há suspeitas de que eles receberam recursos para sair do partido. Se tivessem ficado, teríamos a maior bancada e o direito de indicar o candidato oficial seria nosso, não do PSDB, afirmou o senador José Jorge.
Pela decisão do presidente da Câmara, deputado Michel Temer (SP), a prerrogativa de indicar o candidato oficial à sucessão cabe ao partido com a maior bancada existente em 15 de dezembro. Em conversas com interlocutores, Temer descartou a possibilidade de adiar a eleição por conta das gravações. Vamos pedir uma CPI composta por deputados e senadores para apurar as denúncias. Quem participar vai ter de abrir os sigilos bancário e fiscal, disse o deputado José Genoino, depois de conversa com o colega Aloizio Mercadante (PT-SP), o candidato petista à sucessão na Câmara.
Mas o PT, pelo menos por enquanto, não quer saber de tomar decisões em conjunto com o PFL. Vamos conversar amanhã (hoje) com os partidos de oposição e formalizar uma decisão sobre o caso. Para nós, os dois lados (PFL e PMDB) podem estar envolvidos, afirmou Mercadante. A oposição pretende cobrar por escrito o compromisso de todos os candidatos com a instalação da CPI mista como seu primeiro ato na presidência.
Favorito na disputa e menos interessado no adiamento da eleição, Aécio discorda. Não há hipótese. A Câmara tem regras que não podem ser mudadas por conveniências, afirmou. Sobre a tentativa do PT e do PFL de investigar o escândalo, Aécio prefere manter-se distante. A CPI deve ser criada para investigar um objeto claro. Não deve ser criada por motivação política, disse. Inocêncio declarou ser contra o adiamento da eleição, mas seguirá a decisão do partido.
A assessoria jurídica do PMDB montou um arsenal de argumentos. O primeiro para encaminhar ao STF seria alegar que ACM não tem isenção para comandar a eleição. Não creio que sejam tão burros para cometer esse absurdo jurídico. O Supremo não é uma casa de loucos, mas de gente séria, respondeu ACM.


