PFL tem pressa no anúncio mas o Planalto resiste
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quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Agência Estado Brasília 
O governo está resistindo à pressão do PFL para que seja anunciado logo um aumento do salário mínimo. Embora o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), tenha afirmado que a meta do governo é levar o mínimo a R$ 128, os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e da Casa Civil, Clóvis Carvalho, negaram que exista qualquer decisão tomada sobre o valor ou a data do aumento.
O presidente recusou-se a comentar o assunto, dizendo que ele pertence ao ministro da Fazenda. Já o porta-voz, Sérgio Amaral, afirmou que o presidente Fernando Henrique vai cumprir o compromisso de dobrar o valor do salário mínimo até o final de quarto ano de seu mandato, mas não existe ainda uma definição sobre o valor e a data em que será decidido o reajuste. É muito cedo para falar disso, disse, confirmando, no entanto, que o assunto está sendo estudado pela área econômica do governo.
O porta-voz ressalvou que é bom lembrar que o compromisso assumido pelo presidente (durante a campanha eleitoral de 1994) e que consta da página 146 do programa Mãos à Obra é de se esforçar para dobrar, até o final do quarto ano do seu mandato, o valor do salário mínimo, que, na época, era de R$ 64,00. Foi a partir deste número que o líder Luís Eduardo calculou em R$ 128 o valor do novo mínimo, depois de um encontro com o presidente e outros líderes, durante o qual o assunto foi abordado. Na reunião, no entanto, o presidente não se comprometeu com números e chegou a dizer que já havia até cumprido a promessa de campanha.
Segundo o porta-voz, o critério para se avaliar o poder aquisitivo do salário mínimo é o valor dos produtos da cesta básica e não seu valor nominal ou o equivalente em dólares. E o valor da cesta básica permaneceu praticamente inalterado, só cresceu 5% desde que o presidente Fernando Henrique tomou posse, argumentou Amaral, de forma a cumprir a promessa, feita pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, de dobrar seu valor em quatro anos de governo. O presidente recusou-se a falar do assunto, remetendo-o ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, que negou haver qualquer decisão tomada em torno do assunto.


