Curitiba - O PFL, partido que já esteve no poder, quer reafirmar-se como oposição ao governo federal. Ontem pela manhã, em Curitiba, no Salão de Atos do Parque Barigui, a cúpula do partido concentrou sua artilharia em dois dos principais problemas que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está enfrentando. O partido comandado nacionalmente pelo presidente senador Jorge Bornhausen criticou a reforma tributária em tramitação na Câmara Federal e a falta de pulso do governo federal em relação ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Bornhausen disse que a reforma tributária é ''meia-sola'' e aumenta a carga tributária. O partido vai apresentar emendas, propondo que a Contribuição sobre Movimentação Financeira, a CPMF, funcione como antecipação do Imposto de Renda (IR). Os valores pagos em CPMF seriam restituídos posteriormente ao contribuinte. O dirigente máximo do PFL disse ainda que, por lei, a alíquota da CPMF hoje em 0,38% cai no ano que vem para 0,08%. ''Mas eu aposto que o governo vai deixar em 0,38%'', disparou.
O líder da bancada do PFL na Câmara Federal são 19 deputados ao todo , José Carlos Aleluia, fez discurso semelhante. ''Não podemos admitir aumento de imposto porque o brasileiro não aguenta mais pagar.'' O partido de Bornhausen reclamou ainda da postura do governo Lula em relação ao MST. A deputada Kátia Abreu (TO) declarou que PFL vai defender os produtores rurais. ''O governo não levanta um dedo. Já representamos no Ministério Público contra o MST'', afirmou.
Sobraram críticas também para o governo Roberto Requião (PMDB). O secretário-geral do PFL estadual, deputado Élio Rusch, lembrou que já se passaram sete meses de governo, além de dois de transição, e até agora o Estado não definiu seu programa. Para Rusch, o Palácio Iguaçu está mais preocupado com o ''populismo''. O governo do Estado, aliado de Lula, reagiu. A assessoria do governador disse que o deputado Rusch apoiou os governos federal e estadual anteriores (Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e o pefelista Jaime Lerner), que ''desconstruíram'' a República e o Paraná.

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