PFL se reúne e pode expulsar deputado
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segunda-feira, 11 de julho de 2005
Leila Suwwan e<br>Ranier Bragon<br>Folhapress 
Brasília - Em reação para conter os danos à imagem do partido, o PFL convocou para hoje uma reunião extraordinária da Executiva do partido para analisar o afastamento ou até a desfiliação do deputado pefelista João Batista Ramos da Silva (SP). Ontem ele foi descoberto com sete malas de dinheiro no aeroporto de Brasília e iria prestar depoimento à Polícia Federal. Após os esclarecimentos feitos pelo senador Marcelo Crivella (PL-RJ), em nome da Igreja Universal, sobre a origem e o destino do dinheiro, a principal preocupação do partido era se desvincular da crise do ''mensalão'', associada ao carregamento de malas de dinheiro para pagamento de partidos aliados, segundo denúncia feita pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Para isso, os membros do partido querem pedir que o deputado se licencie do PFL durante as investigações.
''Afaste do PFL este dinheiro. Não vamos aceitar nenhuma ilação com nossa atividade político-partidária. Essas malas e essa viagem não têm nada a ver com o partido'', disse o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN). Para ele, a mandato e a filiação do deputado são ''incompatíveis'' com sua função na Igreja Universal. ''Não é missão de parlamentar acompanhar milhões em avião particular'', disse.
O líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ), disse que a atitude do deputado João Batista é ''injustificável'' e afirmou que acionará a Corregedoria da Câmara para que colha as explicações do deputado. ''Independentemente da origem dos recursos, não cabe essa função ao parlamentar. Isso nos causou perplexidade e não há nenhuma justificativa. Na melhor das hipóteses, é uma movimentação suspeita'', disse Maia.
Segundo ele, as explicações dadas pelo senador Marcelo Crivella (PL-RJ) não convenceram. ''A explicação do senador Crivella não atende a ninguém. A Universal tem conta no Banco do Brasil, e creio que o banco tem agência em Brasília. Ficaria muito mais barato pagar a CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira) do que utilizar uma aeronave para transporte'', afirmou.
Segundo o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), a Executiva irá analisar tecnicamente se o deputado está envolvido em algum ilícito e já pediram à PF cópia do auto de apreensão do dinheiro. Se houver ato criminal, será feita uma expulsão sumária.
O PFL rejeitou qualquer comparação com o caso do assessor petista José Adalberto Vieira da Silva, que foi detido na última sexta no aeroporto de Congonhas com R$ 200 mil em uma bolsa e US$ 100 mil guardados dentro de um saco plástico na cueca. ''A cueca do PT, isso ninguém pode tirar. O problema é o dízimo da Igreja Universal, o qual eu também não aprovo porque é tirar dos pobres. Mas não queremos comparação do PT conosco, até porque a hora é do PT botar a cabeça debaixo das cuecas'', disse o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).


