Brasília - Num rompimento negociado com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o PFL anunciou ontem, oficialmente, que não pertence mais à aliança que está no poder. Mas o partido não fará oposição sistemática. Analisará todos os projetos antes de votá-los e aprovará tudo o que coincidir com o seu programa e ideário. A governadora Roseana Sarney (Maranhão) passou a ser tratada como candidata a presidente da República e não mais como pré-candidata.
‘‘À Nação queremos reafirmar que continuaremos no Congresso Nacional a apoiar todas as medidas legislativas que se harmonizem com as crenças que compartilhamos’’, afirmou o presidente nacional do PFL, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC), em nota da executiva nacional do partido. ‘‘O PFL não votará contra o País.’’
As negociações que levaram o PFL a um rompimento brando foram comandadas pelo próprio Bornhausen, por FHC, pelo vice-presidente Marco Maciel, que é do PFL e que continuará no governo, pelos ministros demissionários da Previdência, Roberto Brant, e de Minas e Energia, José Jorge, e pelo presidente da Câmara, Aécio Neves. O ministro Carlos Melles (Esportes e Turismo), outro nome do PFL no primeiro escalão do governo, também está demissionário.
Coube a Roberto Brant redigir a nota de três laudas da executiva. Foram feitas cinco versões. Na primeira havia uma menção a FHC; na definitiva, desapareceu o nome do presidente. Mas o PFL não perdoou o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, que a governadora insiste em dizer que é o culpado pela invasão de sua empresa, há uma semana, pela Polícia Federal, e pela apreensão de documentos e cerca de R$ 1,3 milhão em dinheiro.
‘‘O PFL considera que nos exageros e arbitrariedades da ação policial, de que foi vítima nossa candidata à Presidência da República, e na iniquidade dos vazamentos à imprensa, não houve a indispensável e pronta apuração dos abusos e ilegalidades por parte do ministro da Justiça. Desejamos, como a governadora Roseana Sarney, a apuração completa e transparente de tudo’’, afirmou a nota.

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