Agência Estado
De Brasília
A estratégia das cúpulas do PSDB, PFL e PMDB de proibir as coligações proporcionais já nas eleições municipais de 2000 começa a enfrentar seus primeiros percalços. Ontem, o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), classificou o projeto aprovado no Senado e que terá que ser referendado pelos deputados até o dia 30 para entrar em vigor como um ‘‘salto no escuro’’.
‘‘Eu vou propor uma avaliação do PFL Estado por Estado para saber das consequências deste projeto. Em Pernambuco, a proibição da coligação será péssima para nós’’, disse Inocêncio. ‘‘Temos hoje 15 vereadores no Recife e corremos o risco de ficar apenas com sete, caso este projeto passe.’’ Dentro da cúpula do PFL, Inocêncio é o único que está contra a proposta. ‘‘Sou voto vencido na Executiva’’, admitiu. É o líder do PFL, contudo, que mantém contato direto com os 105 deputados da legenda.
Na terça-feira, os líderes não haviam conseguido aprovar regime de urgência para a matéria em uma reunião promovida pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). O motivo foi o anúncio feito pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que o partido iria se retirar da base e passar a votar com a oposição caso a proposta tivesse seguimento. A retirada dos 25 petebistas da base levou o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), a desaconselhar a urgência e os demais líderes dos grandes partidos recuaram.
‘‘O PTB nos surpreendeu, mas vamos tentar contornar os problemas internos que o PFL e o PMDB apresentam’’, afirmou o líder do PSDB do Senado e um dos autores da proposta, senador Sérgio Machado (PSDB-CE). De acordo com Machado, os grandes partidos ainda irão insistir na aprovação da restrição. ‘‘O PSDB irá fechar questão a favor da votação do projeto agora’’, disse o senador.
Como forma de dividir os líderes dos grandes partidos, as legendas da oposição acenaram com a retirada do apoio aos projetos em tramitação que obrigam à desincompatibilização dos prefeitos candidatos à reeleição seis meses antes do pleito. ‘‘O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), disse que o partido poderia negar urgência ao projeto que proíbe as coligações, desde que o projeto de desincompatibilização também não recebesse este tratamento. Entendemos esta colocação como uma tácita proposta de acordo’’, disse o líder do PC do B na Câmara, Aldo Rebelo (SP).

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