PFL recua e retoma votações na Câmara
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terça-feira, 09 de abril de 2002
Agência Estado Agência Folha 
Brasília - O PFL não vai mais obstruir as sessões de votação da Câmara. Com o recuo do partido, o governo pretende colocar hoje em votação a medida provisória que transfere para os consumidores os prejuízos das concessionárias de energia elétrica com o racionamento. A executiva nacional do PFL reúne-se hoje de manhã para, provavelmente, liberar a bancada na Câmara a votar como quiser a medida provisória.
Os pefelistas resolveram voltar atrás depois da decisão da Polícia Federal de não intimar a ex-governadora Roseana Sarney a depor sobre o R$ 1,34 milhão encontrado na empresa Lunus, dela e de seu marido Jorge Murad. Ela será convidada para prestar o depoimento, e dessa forma, poderá ou não aceitar o convite para se apresentar. A manobra é negada pela superintendência da Polícia Federal no Maranhão.
A boa vontade da PF fez parte de uma operação do governo, que começou ontem com a visita do secretário-geral da presidência, Euclides Scalco, ao presidente do PFL, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC).
Ao mesmo tempo, os líderes governistas resolveram baixar o tom e não radicalizar nem partir para o confronto com o PFL. Os aliados estavam cientes de que o PFL poderia dar o troco na votação da emenda constitucional que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 31 de dezembro de 2004, caso insistissem em pôr ontem em votação a MP do setor elétrico.
Mas todo o esforço do governo para pacificar o PFL e abrir o caminho para a votação da MP do setor elétrico e de mais 20 medidas provisórias quase foi por água abaixo com as declarações do ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior (veja matéria abaixo).
Na reunião de hoje, a executiva do PFL deverá liberar sua bancada na Câmara para votar a MP do setor elétrico porque o partido está dividido. Os dirigentes pefelistas já foram avisados de que as bancadas do Maranhão e da Bahia votarão contra a medida provisória. A bancada do Rio de Janeiro também poderá votar contra.
O governo decidiu que irá pôr a MP em votação de qualquer forma hoje à tarde, mas adotou um discurso de que o PFL é essencial para a governabilidade. A MP deveria ter sido votada ontem, mas foi adiada para contornar a crise com o PFL. Não é por causa de 24 horas que vamos deixar de respeitar a relação com o partido que esteve na base do governo por mais de sete anos, afirmou o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP).


