Agência Estado
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Em abertoCutolo, presidente da CEF: cotado para o Trabalho, poderá vir a ocupar ministério extraordinárioOs senadores do PFL, revoltados com a indicação do senador José Serra (PSDB-SP) para o Ministério da Saúde, paralisaram a reforma ministerial promovida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e decidiram indicar políticos de expressão para as duas vagas que competem ao partido: Previdência Social e Meio Ambiente.
O PFL decidiu rever a posição, antes favorável à indicação de técnicos para substituir os ministros que estão deixando os cargos do partido, no fim da tarde de ontem. O partido também trabalhará, a partir de agora, com a perspectiva de eleger, em fevereiro, os futuros presidentes da Câmara e do Senado.
‘‘Como outros partidos ampliaram seu espaço com a indicação de filiados com mandato, o PFL resolveu propor o mesmo ao presidente’’, informou o líder da bancada, Hugo Napoleão (PI). ‘‘O fato dá um certo relevo ao partido.’ O porta-voz do Palácio do Planalto, embaixador Sérgio Amaral, admitiu que o presidente poderá deixar para a próxima semana a conclusão da reforma. Além dos dois pefelistas, o presidente espera uma indicação consensual do PMDB para a pasta da Justiça e terá de encontrar alguém para o Ministério do Trabalho, no lugar de Paulo Paiva (PTB) deslocado para o Planejamento. O presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Sérgio Cutolo, anteriormente indicado para o Trabalho, vai ocupar um ministério extraordinário.
Os nomes mais cotados agora no PFL são os dos senadores Francelino Pereira (MG) e Vilson Kleinubing (SC) para o Ministério da Previdência, em substituição a Reinhold Stephanes, e Freitas Neto (PI) para o lugar do ministro do Meio Ambiente, Gustavo Krause. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse que o partido vai apresentar os nomes, mas a decisão final será do presidente. ‘‘Se ele quiser usar, que use; se não quiser, que não use’’, defendeu.
O PFL perdeu o espaço mais nobre do governo para o PSDB e para políticos da cota pessoal do presidente da República. Desnorteado, o líder na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), confessou que o partido saiu ‘‘arrasado, menosprezado e chutado’’ com a indicação de Serra para a Saúde. O PMDB também protestou, embora o partido tenha concluído ontem a negociação de um lugar de destaque no time do ministério da reeleição. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS), foi ontem à noite ao Palácio do Planalto para dizer ao chefe que aceita o convite para continuar na equipe.
O PFL e o PMDB, que discordavam dos critérios de substituição dos ministros candidatos às eleições de outubro, concordam agora que o PSDB é o grande vencedor da reforma, independente dos nomes ainda não anunciados. A avaliação predominante é a de que o controle dos votos e do cofre está nas mãos do PSDB e dos amigos do presidente. Afinal, toda a área social e que dá votos - Saúde, Educação e Comunicações - está nas mãos de tucanos.
Todos sabem que tanto Serra, que ainda não tomou posse, como os colegas da Educação, Paulo Renato Souza, e das Comunicações, Sérgio Motta, são nomes certos na equipe que vai operar o governo no eventual segundo mandato. ‘‘Se mudaram as regras, escolher técnicos para o ministério é o mesmo que dançar valsa quando a orquestra está tocando merengue’’, resumiu o líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA).
O PMDB foi avisado de que Fernando Henrique quer um jurista na Justiça para resolver os problemas do ministério com mais desembaraço e experiência. Mas a bancada também analisava ontem o nome de um senador do partido que fincasse pé no Ministério. O mais cotado era o senador gaúcho Rames Tebet.

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