Brasília O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, disse ontem que a decisão da Executiva Nacional de recomendar o apoio ao candidato do governo, José Serra (PSDB), respeitadas as peculariedades estaduais, objetivou manter a unidade do partido. ''A decisão dá a amplitude que os diferentes setores do partido desejava'', afirmou.
Com essa decisão, segundo Bornhausen, quem discordar da recomendação pode manter posições contrárias à candidatura de Serra. É o que ocorre, por exemplo, com os senadores eleitos Antônio Carlos Magalhães (BA) e Roseana Sarney (MA), que apóiam abertamente o candidato presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Isso não seria possível se, ao invés de uma recomendação, houvesse uma deliberação, pois esta teria de ser seguida por todos os filiados.
Com o apoio a Serra, a cúpula do PFL faz sua terceira aposta na disputa presidencial deste ano. É a última tentativa do partido de retomar espaço de destaque no poder central do País, onde esteve presente nas últimas décadas. A vitória de José Serra é, portanto, a derradeira esperança do PFL. E ainda assim, o partido vai para ela rachado.
Esta decisão foi tomada oito meses depois de o partido anunciar a candidatura presidencial da então governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), e cinco meses depois dos líderes pefelistas terem declarado apoio ao candidato do PPS, Ciro Gomes. A proposta de recomendar o apoio a Serra foi apresentada pelo vice-presidente da República, Marcos Maciel (PE), que atuará como representante do partido no comando da campanha de Serra.
Bornhausen frisou que a Executiva, ao optar pela recomendação e não pela deliberação, quis deixar os diretórios estaduais livres para tomar o rumo que quiserem, no segundo turno da campanha. Foi um cuidado para não impor constrangimentos aos que já declararam apoio a Lula. Contido, até Bornhausen evitou declarar apoio a Serra: ''Da minha parte, vou voltar para Santa Catarina para trabalhar pela candidatura de Esperidião Amin (candidato ao governo)'', limitou-se a dizer ao final.

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