PFL quer extinguir metade dos ministérios
Nelson Breve
Agência Estado
O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), disse ter proposto ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso a redução do número de ministérios. Bornhausen sugere que o presidente aproveite o quinto aniversário do real para fazer o enxugamento da máquina. Na proposta do dirigente pefelista, haveria apenas 12 ministérios, em vez dos atuais 23, podendo haver mais dois ou três ministros extraordinários. O presidente teria a liberdade para escolher os nomes que quisesse, mas nenhum partido da base de sustentação do governo seria excluído, disse Bornhausen, defendendo a manutenção da aliança.
Pela sugestão do senador, seriam extintas todas as secretarias de Estado ligadas à presidência da República. Somos a favor de uma reforma ampla de enxugamento da máquina, disse o senador. Com esta máquina (o ministério atual), o País não avança, criticou.
Bornhausen disse que saiu do encontro com a expectativa de que ele vai avançar na reforma ministerial. Não sei se tanto quanto eu proponho, mas acho que ele não perderá essa oportunidade de um encontro justificado com a sociedade, afirmou o presidente do PFL. Ele observou que a popularidade (do presidente) vai e volta, mas não pode ser perdida. Para avançar, tem que ousar, indicou. O pior já passou, a crise foi vencida, mas nós precisamos avançar, para que ela não volte, e a melhor forma de comemorar o (aniversário do) real é avançar, declarou.
Segundo Bornhausen, o sucesso dos partidos da base governista está ligado ao sucesso do governo, e por isso o PFL acha que o governo será mais bem sucedido se fizer o enxugamento da máquina. O dirigente pefelista disse que já havia feito essa proposta ao presidente na Semana Santa, quando se reuniu com Fernando Henrique e com o articulador político do governo, ministro Pimenta da Veiga (Comunicações), no Palácio da Alvorada. Bornhausen assegurou que, diferentemente do que foi divulgado na época, não defendeu junto ao presidente a exclusão do PMDB do governo.
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, disse que o PFL apóia a proposta do seu presidente, embora considere que existe uma distância entre o Brasil virtual e o real. Não sei como o presidente (Fernando Henrique) poderá fazer isso, com uma base heterogênea. Inocêncio ressaltou, no entanto, que FHC tem toda liberdade para fazer as mudanças que julgar necessária na sua equipe.Proposta de enxugamento inclui fim de todas as secretarias de governo: Com esta máquina o País não avança, diz Bornhausen
Arquivo FolhaDesafioBornhausen: melhor forma de comemorar o aniversário do Real é ousar, avançar nas mudanças





