PFL quer aumentar poder de barganha
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sábado, 02 de fevereiro de 2002
Leandro Donatti Equipe da Folha 
Curitiba - O PFL está apostando numa recuperação de imagem do governo do Estado para aumentar o seu poder de barganha nas discussões com o PSDB, PPB, PTB e PSL, na formação de uma aliança para as eleições. O assunto foi tema do almoço oferecido ontem em Curitiba pelo presidente regional do partido, o ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, para os deputados estaduais e federais do PFL.
Os pefelistas estão convictos de que só vencem as eleições se for mantida a aliança com os partidos da base aliada, e isso inclui o PSDB, que já lançou o vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa, como pré-candidato ao governo. Se o governo vai bem, todos vão querer se unir a nós. Estamos sentindo este crescimento nas bases. O cancelamento do leilão da Copel e a inauguração de obras vão reforçar isso. Na medida que o governo começa a ajudar os prefeitos, seu poder de fogo aumenta, avaliou um deputado pefelista, que foi à casa de João Elísio.
Para os deputados, que têm feito pesquisas de opinião junto aos municípios de suas bases, a máquina do governo é fundamental numa eleição e os aliados não vão querer ficar de fora, principalmente porque há um cuidado redobrado com os gastos de campanha neste ano. O escândalo do caixa 2, que tem desgastado o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, desde o final do ano passado se transformou num fator preocupante dentro do partido.
Por esta razão, os pefelistas estão dispostos a dar, mais do que nunca sustentação política ao governador Jaime Lerner (PFL). Para garantir a retomada da popularidade, perdida com a discussão em torno da privatização da Copel, o partido já tem uma estratégia. Interlocutores no PFL pretendem sugerir a Lerner a concessão de um aumento ao funcionalismo público e investimentos em segurança pública, tema que está em voga e mexe com a população.
Outro item da pauta ontem foi o desejo dos deputados do PFL em manter a aliança não apenas na disputa majoritária, para governador, vice e senador, mas também na proporcional, para deputado federal e estadual. Os parlamentares querem garantir a reeleição. A chapa PFL-PSDB-PTB-PPB-PSL restringiria o número de candidatos e dificultaria o aparecimento de novos concorrentes. A chapa ainda dominaria 72% do tempo no horário eleitoral no rádio e na tevê, beneficiando não apenas o candidato a governador, mas todo o grupo. Pelos cálculos do PFL, PMDB, PT e PDT, se unidos, não ficariam com mais de 20% do tempo total.


