PFL quer afastar promotores de investigação
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2001
Rodrigo Sais<br>De Curitiba 
Os advogados do PFL e do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi, querem afastar a Promotoria de Proteção do Patrimônio Público da investigação sobre a existência do suposto caixa 2 na campanha à reeleição de Cassio. Para a defesa do prefeito, quem deve conduzir a apuração sobre excesso de gastos na campanha é o Ministério Público Eleitoral.
''Nos próprios pedidos de diligência feitos pelo Ministério Público, está explícito que os documentos são requisitados para apurar excesso de gastos na campanha do prefeito. Mas a investigação está tomando rumos maiores do que esse'', afirmou o advogado de Cassio, José Cid Campêlo. Os promotores investigam também se houve sonegação fiscal e utilização de dinheiro público durante a campanha de Cassio.
Os pefelistas se reuniriam ontem à noite para decidir quais medidas serão tomadas para afastar os promotores do Patrimônio Público do caso. O Ministério Público Eleitoral é uma divisão do MP que é ocupada por um promotor com mandato de um ano, em sistema de rodízio.
Campêlo baseia sua argumentação na liminar concedida segunda-feira pelo juiz da 1 Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, que quebrou o sigilo parcial do processo imposto aos advogados do PFL pelo MP. ''Se a Justiça Eleitoral é competente para quebrar esse sigilo, é natural que as investigações sejam feitas por ela, através do Ministério Público Eleitoral'', concluiu.
O MP solicitou ontem ao juiz que reconsidere sua sentença. Além disso, os promotores pretendem entrar com um recurso hoje no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) argumentando que um juiz eleitoral não poderia decidir sobre a investigação, que apura também se houve crimes não-eleitorais durante a campanha de Cassio.
Além desse argumento, os integrantes do MP solicitam que o sigilo nas investigações seja reinstaurado para que potenciais testemunhas não desistam de comparecer. ''Algumas pessoas vieram espontaneamente prestar depoimento. Agora, temos que proceder a investigação de maneira mais cautelosa, ouvindo primeiro quem já estava envolvido na campanha'', afirmou a promotora Maria Espéria Moura.
A liminar fez com que o cronograma das diligências fosse alterado. Os planos dos promotores de quebrarem os sigilos fiscal e bancário de algumas das pessoas citadas nos depoimentos foram adiados. ''Com mais partes tendo acesso aos autos, não temos como manter o sigilo dessas informações, que não podem ser divulgadas por força de lei'', analisou a promotora.
A influência da quebra do sigilo no andamento dos trabalhos do MP também foi percebida nos três últimos dias. Segundo os promotores, a redação do pedido de reconsideração de sentença e do recurso ao TRE tomou muito tempo dos promotores, impedindo que novas testemunhas fossem ouvidas. Os depoimentos devem ser retomados a partir de hoje.
Cid Campêlo, porém, garante que um empresário prestou depoimento ontem. ''Tenho informações seguras de que houve um depoimento. Eu havia feito um requerimento para que eu fosse alertado sempre que se estabelecesse uma diligência, mas não fui avisado deste'', reclamou. Os promotores não confirmaram se houve algum depoimento ontem.


