PFL, que já foi a favor, agora é contra taxação dos inativos
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terça-feira, 22 de abril de 2003
Agência Folha 
Brasília - Apesar de haver apoiado a medida no governo passado, o PFL vai se posicionar contra a cobrança de contribuição previdenciária dos inativos do serviço público quando a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva for enviada ao Congresso.
''O governo tenta passar a idéia de combate aos marajás, que o aposentado do serviço público ganha muito. Essa era uma bandeira do Collor'', disse o líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (BA).
Aleluia refere-se ao ex-presidente Fernando Collor de Mello, que se elegeu contra Lula em 89 tendo como bandeira eleitoral a ''caça aos marajás'', servidores de altos salários da administração pública.
O governo conta com os votos de PFL, PSDB e PMDB para aprovar as reformas previdenciária e tributária, até mesmo para contrabalançar eventuais baixas em sua base congressual, que é hostil à cobrança dos inativos.
''O PT não vai ser obstáculo. A gente gasta alguns dias para debater, mas quando vota no painel não aumenta despesas nem o déficit público'', disse o presidente da sigla, José Genoino.
Na oposição, o PSDB está dividido em relação ao projeto, que é apoiado por seus oito governadores. Até nisso a pressão sobre as bancadas do PFL é menor, porque o partido governa apenas três Estados: Bahia, Sergipe e Maranhão.
Antes de se posicionar, o PFL deve convocar juristas para discutir a questão da cobrança dos inativos. A sigla contesta, por exemplo, a constitucionalidade do estabelecimento de um teto para a contribuição. Mas a decisão será política.
Às vésperas de um ano eleitoral, a cúpula pefelista julga que a defesa dos inativos é uma boa bandeira, que deixaria o partido de bem com a classe média e as corporações, que, aliás, sempre combateu.


