PFL pressionou e conseguiu o novo ministério
Pressionado pelo PFL descontente com a nomeação do senador tucano José Serra para o Ministério da Saúde, o presidente Fernando Henrique Cardoso não teve saída. A morte anunciada do Ministério Extraordinário de Assuntos Políticos foi substituída por uma reformulação do posto, que mudou de nome mas mantém o endereço no Palácio do Planalto. Sai o ministro pefelista Luiz Carlos Santos (SP) e entra o senador pefelista Freitas Neto (PI), escolhido ministro do novo Ministério Extraordinário da Reforma Institucional. Extinta, para valer, foi a Pasta extraordinária dos Esportes, liberando o ministro Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, para cuidar da Copa do Mundo.
Esse ministério virtual que só tem um gabinete e um laptop não interessa ao PTB, desdenhou o líder do PTB, deputado Paulo Heslander (MG). Isso é uma piada, esse ministério não existe e o PMDB não vai levá-lo a sério, debochou o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA). Até o líder do PSDB, deputado Aécio Neves (MG), duvidou da seriedade do arranjo improvisado em menos de 24 horas pelo Palácio do Planalto para atender ao PFL, sem criar novos atritos em sua base de apoio. Isto é verdade ou é uma prorrogação do 1º de abril?, indagou o líder tucano.
Sobrou para o PFL, que na verdade sonhava com o Ministério do Trabalho para Freitas Neto, a defesa da inovação do Planalto. O Ministério pode ser útil para tocar as reformas que são indispensáveis ao País, disse o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (BA). A mudança de nome do ministério extraordinário tem uma razão prática: livrar o PFL da pecha de comandar um ministério que foi criado para aprovar a reeleição de Fernando Henrique e que caiu no vazio depois da aprovação da emenda, em janeiro do ano passado.
O ingresso do ex-governador do Piauí no ministério é uma vitória pessoal do líder pefelista no Senado, Hugo Napoleão (PI), que brigara publicamente para emplacar o aliado no primeiro escalão do governo. Um consolo para Napoleão, derrotado pelo PFL baiano do senador Antônio Carlos na disputa pelo Ministério da Previdência. A pasta será entregue ao senador Waldeck Ornellas (PFL-BA).
O novo ministério pode não ser tão atrativo quanto o Ministério do Trabalho, mas facilita a vida do Planalto e as pretensões políticas do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). A vantagem para o Planalto é a de evitar novo atrito com o PMDB, que já alardeava ontem que jamais aceitaria ver o PFL ganhar mais um ministério e se fortalecer no Executivo federal. O ganho do PFL ficou claro no recado do líder do PTB, deputado Paulo Heslander (MG), dado ontem Inocêncio: os petebistas ficariam muito satisfeitos em ajudá-lo na sua campanha à Presidência da Câmara para 1999, caso pudessem contar com o apoio do PFL para emplacar um nome seu no Trabalho.
PTB Foi a tacada final para o PTB mandar um aviso ao presidente Fernando Henrique de que aceitaria a pasta do Trabalho. O ministro Arlindo Porto tanto pode ficar na Agricultura como mudar de Ministério, porque o Trabalho tem muito mais a nos dizer, afirmou o presidente do PTB, senador José Eduardo Andrade Vieira (PR). Uma mudança rápida de discurso dos petebistas, que até a véspera brigaram para não perder para o PPB do ex-prefeito Paulo Maluf seu espaço no Ministério da Agricultura.
O PTB também afinou o discurso ao se deparar com o presidente do PPB, Paulo Maluf, em Brasília, trabalhando para garantir a Agricultura para o mais recente apadrinhado do partido, Francisco Turra, que tem as bençãos do chefe do Gabinete Civil da Presidência, Clóvis Carvalho. Com a chegada do atual ministro da Agricultura, Arlindo Porto (PTB-MG), prevista para hoje, o mais prudente para o PTB foi a de começar a pensar em aceitar a oferta palaciana de transferir Porto para o Trabalho.





