Setores do PFL, aproveitando-se da indicação do senador José Serra (PSDB-SP) para o Ministério da Saúde, vão tentar indicar políticos no ministério do presidente Fernando Henrique Cardoso. Para líderes pefelistas, a escolha de Serra demonstra que o presidente mudou os critérios para formação do ministério a partir de abril, quando os ministros-candidatos deixarão os cargos.
Com a indicação de Serra, os senadores já se preparam para recorrer ao presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e mudar os nomes do partido. ‘‘Houve uma mudança de critérios. Entendia-se que as indicações seriam técnicas para evitar problemas políticos’’, disse o senador Guilherme Palmeira (PFL-AL), que ontem conversou com o líder do governo no Senado, Elcio Alvares (PFL-ES), sobre o ministério de FHC.
Os pefelistas entendem também que a nomeação de Serra indica que FHC já está montando o ministério de seu eventual segundo governo. Segundo Palmeira, o PFL deverá reavaliar suas indicações. ‘‘O PSDB montou um tripé importante com Saúde, Educação e ingerência no Planejamento e na Fazenda. Ficou com dois terços do ministério, em uma posição mais forte que os demais partidos’’, disse.
‘‘A pior coisa em política é o ressentimento’’, afirmou Alvares. Para o líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), o PFL não deve se preocupar com a visibilidade política que Serra e o PSDB poderão ter no governo. ‘‘É uma preocupação equivocada. Temos de aplaudir e ajudá-lo (o Serra)’’, disse.
Dentro de um composição técnica do ministério, o PFL já havia acertado a indicação de Renato Folador (Previdência) e Aloísio Sotero (Meio Ambiente). Depois da escolha de Serra, voltaram a circular os nomes dos senadores Freitas Neto (PFL-PI) e Romero Jucá (PFL-RR), para o Meio Ambiente, e Vilson Kleinubing (PFL-SC), para a Previdência. Conforme Palmeira, esses senadores foram convencidos a adiar os planos de ser ministros porque seriam escolhidos técnicos. ‘‘Agora vamos repensar o andamento das coisas’’, afirmou.

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