O pedido de expulsão do prefeito cassado de Londrina Antonio Belinati ainda não foi protocolado na executiva estadual do PFL, mas deve ser formalizado nas próximas horas. O desligamento compulsório de Belinati da legenda seria, em tese, a próxima decisão contra o prefeito no âmbito político. O pedido de expulsão de Belinati pode ser analisado durante a reunião da executiva, que acontece na próxima segunda-feira em Curitiba.
Nas últimas semanas os integrantes da executiva – os três vereadores do partido em Londrina e o presidente da comissão provisória do PFL londrinense, Farage Kouri – mantiveram tensas negociações sobre o destino da legenda na cidade. A discussão do pedido de desligamento pode ser acelerada, já que seria mais cômodo para o PFL livrar-se de Belinati.
Ontem o presidente regional do PFL, João Elísio Ferraz de Campos, lamentou ‘‘a perda de um político com o poder de voto do Belinati’’. Na opinião do ex-governador ‘‘é preciso respeitar a decisão (dos vereadores de Londrina) porque essa é a essência da democracia’’. João Elísio salientou que ‘‘o PFL, em qualquer lugar, será sempre maior que as pessoas’’. O dirigente afirmou que, em Londrina, o PFL ‘‘vai disputar as eleições municipais com toda a sua força e o entusiasmo de seus membros’’.
Não é o que pensa o maior adversário do PFL paranaense, o senador Roberto Requião, do PMDB. Ontem, além de elogiar a atitude de cassação de Belinati, Requião criticou a postura dos partidos de José Janene (PPB) e do senador Alvaro Dias (PSDB) em Londrina. Ele disse que já havia um acordo entre os dois partidos e o PFL para uma aliança nas eleições municipais deste ano.
De acordo com o senador, PPB e PSDB apoiariam a reeleição do prefeito, agora cassado. ‘‘Isto é o que mais me irrita. Ouvi de um forte candidato a prefeito de Londrina que não havia como lutar contra o prefeito. Os políticos não podiam fazer isto. Mas o povo fez’’, declarou.
A vice-governadora Emília Belinati (PTB) pode viajar para Londrina ainda hoje, depois de despachar administrativamente no Palácio Iguaçu. Ela passou toda a manhã de ontem recolhida em sua residência, num bairro nobre em Curitiba. No exercício de mais uma interinidade, a vice de Jaime Lerner (PFL) não quis falar com os jornalistas sobre a cassação do marido.
A decisão de manter o silêncio já havia sido tomada na quarta-feira, quando começou o julgamento de Belinati pela Câmara Municipal de Londrina. Emília disse que não falaria sobre o caso nem se o marido se livrasse da cassação ou conseguisse liminar na Justiça retardando o processo.
A decisão de monitorar a distância os desdobramentos da cassação também foi pensada. A vice não esconde o abatimento nos últimos meses. Alvo de investigação, assim como o marido, Emília tem sinalizado que não se sente mais à vontade para circular como antes em Londrina, sua principal base eleitoral.
No decorrer das investigações do escândalo AMA-Comurb, Emília também passou constrangimentos, além de ser a mulher do prefeito, a governadora em exercício teve o seus sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados por determinação da Justiça e os bens da família continuam indisponíveis. O Ministério Público (MP) apura suposto desvio de verba pública para a sua campanha e para a de seu filho – Antônio Carlos (PSB) – que em 1998 foi o segundo deputado estadual mais votado, depois de Aníbal Khury (PFL).
Nas entrevistas que concedeu – para calar os ataques da oposição – Emília nunca saiu em defesa do marido. Sempre disse que a sua vida pública, como política, sempre foi ‘‘transparente’’. Emília negou que exista em sua conta bancária depósito com dinheiro público.
O líder da bancada de oposição na Assembléia Legislativa, Irineu Colombo (PT), aguarda para a próxima semana uma manifestação do MP sobre a medida cautelar que pede o afastamento de Emília do cargo. Na semana passada, o TJ negou uma liminar ao bloco alegando ilegitimidade no pedido. ‘‘A cassação se deu por problemas no PAI, que não atinge diretamente a vice-governadora e o deputado Antônio Carlos. Mas, indiretamente, a situação dos dois se tornou insustentável. Se o MP interpor o pedido de afastamento acaba o problema da legitimidade da autoria da ação’’, comentou. (Colaborou Luciana Pombo)

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