Na primeira reunião do conselho político da reeleição com o presidente Fernando Henrique Cardoso, anteontem à noite no Palácio da Alvorada, a cúpula do PFL pediu ao candidato que mantenha a política de redução gradual dos juros, apesar da nova crise nos mercados da Ásia. O pedido foi feito às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para quarta-feira, dia 24. O presidente não se comprometeu com o pedido, mas também não apresentou objeções, segundo um dos presentes.
O conselho político foi reunido para a apresentação oficial do coordenador da campanha, Euclides Scalco. Compareceram ao encontro o vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL), o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, e o presidente do PSDB, senador Teotônio Vilela (AL). O PMDB foi representado pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e pelo líder no Senado, Jader Barbalho (PA).
Os argumentos dos pefelistas para que seja mantida a política de queda gradual dos juros são políticos e econômicos. Os pefelistas sustentam que o governo ainda tem lastro para reduzir as taxas - há US$ 72 bilhões em reservas -, o que seria suficiente para enfrentar possíveis ondas especulativas decorrentes da crise asiática. Além disso, o candidato Fernando Henrique também precisa continuar reduzindo as taxas de juros para manter a expectativa de crescimento da economia, cenário mais favorável à reeleição.
Fernando Henrique também ouviu o relato sobre a situação eleitoral de seus parceiros em todo o Brasil e sobre as brigas entre aliados que complicam a montagem do palanque da reeleição em nove Estados.
A avaliação geral foi a de que o candidato Fernando Henrique tem problemas para deslanchar sua recandidatura no Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará, Paraná e Distrito Federal. O pior desempenho do presidente candidato é no Ceará de Tasso Jereissati (PSDB), mas o governador tucano tem carta branca e prazo para reverter o favoritismo do candidato do PPS a presidente, Ciro Gomes. A situação é mais grave no Rio Grande, onde o governador Antônio Britto (PMDB) foi convocado a agir rápido para conter o avanço da oposição.
Britto deverá ser chamado para uma conversa com o presidente hoje. A pressa é para tentar interromper o crescimento do candidato da frente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que abriu uma vantagem de 20 pontos em relação a Fernando Henrique. Os aliados do Planalto estão inconformados com o baixo desempenho de seu candidato num Estado em que o governador tem recebido grande apoio financeiro do governo federal.
A conversa também serviu para acertar a participação do presidente nas convenções nacionais que três partidos da aliança - PSDB, PFL e PPB - realizam neste fim de semana em Brasília. Fernando Henrique vai comparecer e discursar em todas elas, depois que os convencionais aprovarem o lançamento da chapa com o pefelista Marco Maciel mais uma vez na vice.

mockup