PFL pede pressa na definição de Lerner
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segunda-feira, 16 de junho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O PFL está aproveitando a crise interna no governo do Estado, agravada com a devolução dos pedidos de empréstimos externos pelo Senado, na última quinta-feira, para forçar uma definição partidária do governador Jaime Lerner (PDT). O primeiro sinal foi emitido ontem, durante uma conversa informal entre o deputado Abelardo Lupion (PFL) e o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PDT), na Secretaria Municipal do Meio Ambiente. O assunto pode ser retomado numa reunião - ainda não confirmada pelo Palácio Iguaçu - entre o governador e a bancada federal.
Lupion, que estaria agindo como ponte entre Lerner e a cúpula nacional do PFL, condiciona a mobilização da bancada aliada - em torno das negociações dos empréstimos - ao desligamento definitivo do governador do PDT, partido liderado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola, líder da oposição ao governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Enquanto ficar no PDT, será tratado como uma Geni, exagera o deputado. Ele se refere ao personagem da música de Chico Buarque, que acabou virando um chavão pejorativo.
Os senadores estão tripudiando em cima de nós. O Brizola lança o Lula como candidato do PDT a presidente e o Lerner continua no partido. Isso acaba com qualquer argumento, lamenta Lupion. Segundo ele, PFL e PTB aguardam a definição para tomar um rumo político. Há a unanimidade de que só poderemos ajudar o governador se ele (Lerner) se ajudar, comenta.
O deputado do PFL diz que a questão partidária só poderá ser desconsiderada pelo governador se estiver disposto a prescindir da ajuda do governo federal no processo de liberação dos empréstimos. Caso contrário, Lerner terá de ceder e se filiar em alguma das siglas que dão sustentação ao presidente, afirma Lupion, sugerindo que a filiação no PFL, por exemplo, renderia uma adesão imediata dos 23 senadores do partido, respaldada pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães e pelo vice-presidente da República, Marco Maciel.
A conversa preliminar entre Taniguchi e Lupion rendeu um compromisso da maioria da bancada federal que, através do escritório político do Paraná em Brasília, fará comparativo da novela que os pedidos de empréstimos do Estado se transformou e as liberações quase imediatas que favoreceram outros estados. O Rio Grande do Sul tem uma dívida muito maior que a nossa, e nem por isso teve os seus pedidos bloqueados pela CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), observa Lupion.
Paralelo ao comparativo, o Palácio Iguaçu, segundo o deputado, estaria disposto a fazer um levantamento revelando quanto cada município do interior sairá perdendo com a devolução dos três empréstimos, barrados por conta do sigilo do contratos com a montadora Renault. O governo tem condições de mostrar tudo isso no papel, avalia.


