PFL pede convocação de Palocci ao Senado
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sexta-feira, 03 de junho de 2005
Cida Fontes<br> Agência Estado 
Brasília - A oposição quer que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, compareça à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado para esclarecer sobre a eventual liberação de recursos de emendas apresentadas por parlamentares ao Orçamento de 2005 em troca do apoio político para derrubar a CPI dos Correios. O requerimento, que ainda precisa ser votado na comissão, foi apresentado ontem pelo líder da minoria, senador José Jorge (PFL-PE). O pefelista considerou ''extremamente graves'' as notícias de que Palocci vai pagar agora as emendas para abafar as investigações, advertindo que isso poderá arranhar a imagem do ministro e causar prejuízos à economia.
''Até tu, Palocci?'', reagiu o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), que sempre defendeu, na tribuna, a atuação do ministro da Fazenda na condução da economia. O tucano pediu que Palocci fique fora da operação do governo sob pena de causar prejuízo ao seu desempenho e à economia. ''Ele tem sido uma âncora deste governo e, se entra no jogo fisiológico, vai desgastar o último ponto de credibilidade do governo'', prosseguiu o tucano. José Jorge acrescentou que as consequências podem ser negativas também para o governo e para a Câmara.
Os governistas, no entanto, não pensam assim. Para o líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS), a liberação de recursos já estava prevista e todos os parlamentares sabem que isso aconteceria. ''Isso é do jogo'', disse, ressaltando, porém, que discorda da proposta de José Jorge. ''O ministro pode até comparecer à CAE, mas para falar da agenda econômica'', replicou o petista.
A oposição concorda, porém, que a liberação de recursos é normal e afirma ser uma obrigação do governo, caso as emendas tenham sido empenhadas em 2004. ''O governo é obrigado a pagar independentemente da filiação partidária do parlamentar'', disse o líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman. ''Mas se o ministro da Fazenda estiver fazendo barganha, ele estará vendendo um direito que o parlamentar tem e até fazendo um estelionato orçamentário'', considerou.
O pagamento de emendas apresentadas por deputados e senadores ao Orçamento é a ''parte pragmática'' da relação do governo com sua base parlamentar, segundo afirmou o deputado Ricardo Barros (PP-PR), um dos integrantes da Comissão de Orçamento. ''Mas não acredito que isso resolva o problema, pois o governo não tem mais credibilidade e não cumpre o que promete'', disse. O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) afirmou que usar recursos do orçamento para obter votos no Congresso é crime de responsabilidade.
Se ficar provado o uso explícito do orçamento em troca de apoio político, Aleluia disse que seu partido poderá recorrer à justiça. ''A participação de Palocci na operação para abafar a CPI é ruim para o próprio ministro'', avaliou. O deputado Alberto Goldman acrescentou que se Palocci estiver mesmo trocando a liberação de recursos por votos, estará ''apenas tirando a máscara''. ''A sua imagem de anjo vai cair se ele começar a privilegiar os partidos aliados'', disse o tucano.
A oposição ocupou a tribuna do Senado para criticar também o clima de otimismo que vem tomando conta dos aliados do Planalto que estão convictos da vitória do governo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e no plenário da Câmara, aprovando o recurso considerando a CPI dos Correios inconstitucional. ''Não fique tão confiante e o governo não pode esquecer que esse mesmo plenário elegeu o deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que maciçamente assinou o requerimento da CPI, que derrotou a MP 232 e tem obrigado o governo a fazer obstruções, instrumento próprio das minorias'', disse o senador Arthur Virgílio.
(Leia mais sobre denúncias de corrupção nos Correios na página 4)


