Curitiba - O PFL do Paraná vai mesmo rachado para a convenção estadual que ocorrerá em junho. A reunião de ontem, em Brasília, entre o presidente nacional do partido, senador licenciado Jorge Bornhausen; o presidente estadual, João Elísio Ferraz de Campos; e a bancada federal, não foi suficiente para acalmar os ânimos.
Dois dos cinco deputados que integram a bancada do PFL do Paraná insistem em uma candidatura própria, por entenderem que assim têm mais chances de se reeleger: Abelardo Lupion e Joaquim dos Santos Filho. Já o maior defensor da tese é Rafael Greca, que postula sua candidatura ao Palácio Iguaçu. A maioria do partido, entretanto, acha que o nome do vice-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), reúne melhores condições de vencer as eleições de 6 de outubro.
Segundo os deputados que estiveram na reunião, Bornhausen afirmou que a recente decisão da executiva estadual do PFL, de formalizar apoio ao filho do ex-governador José Richa, não tem validade. A decisão só se oficializa em convenção. Por lei, as convenções, que definem alianças e candidaturas, precisam ocorrer entre 10 e 30 de junho.
As declarações de Bornhausen dão sobrevida ao sonho de Greca, de suceder o governador Jaime Lerner (PFL), mas não impedem os pefelistas locais de fazerem campanha para Beto Richa. ‘‘Entrei (na reunião) candidato e saí mais candidato. Vou à convenção’’, declarou Greca, que não pensa em concorrer ao Senado, como alternativa ao fracasso de disputar ao governo do Estado.
A reunião de ontem deixou a ala pró-Beto Richa apreensiva. Apesar de se sentirem liberados a fazer campanha para Beto, no Interior e na Capital, os defensores da aliança com os tucanos terão de ficar de olho nos movimentos de Greca, Lupion e Santos Filho junto aos delegados com direito a voto na convenção. Além disso, o clima de impasse, que poderia ter sido dissolvido ontem, permanece, o que vai exigir o dobro do jogo de cintura de João Elísio e de Lerner, os maiores defensores da união com os tucanos.
Alceni Guerra, ex-chefe da Casa Civil e membro da executiva nacional, disse ontem que o governador Jaime Lerner sabe que sua posição – de fechar a aliança PFL-PSDB-PPB-PSL com Beto na cabeça– tem ‘‘efeitos colaterais’’ junto à bancada federal, mas que ele não pode implodir sua base de apoio para beneficiar apenas alguns deputados.

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