César Felício
Agência Estado
De Brasília
O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), afirmou ontem que o partido é ‘‘indissociável do governo federal’’. Segundo Bornhausen, o PFL deverá ter candidato próprio à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002, mas depende do êxito do governo para ter qualquer possibilidade de ganhar a eleição. ‘‘Não podemos repetir 1989; naquele ano, o PFL afastou-se do presidente José Sarney (PMDB), que estava impopular, e o resultado é que o nosso candidato, Aureliano Chaves, teve menos de 1% dos votos na eleição presidencial’’, disse Bornhausen.
Para a história não se repetir, o senador prega o engajamento do partido na votação das leis que regulamentam as reformas previdenciária e administrativa, do projeto de Lei de Responsabilidade Fiscal e da reforma tributária. Ele cobra, contudo, que a área econômica do governo lance medidas de impacto para acelerar a retomada do crescimento e deter a queda de popularidade. ‘‘O governo poderia, por exemplo, adotar uma política agressiva de exportação, visando a inserir o micro e pequeno empresário no mercado externo’’, sugeriu.
Na visão do senador catarinense Jorge Bornhausen, o País precisa iniciar uma trajetória de crescimento econômico continuado a partir de 2000 para que qualquer partido aliado tenha alguma chance na sucessão do presiente Fernando Henrique. ‘‘A percepção popular das melhoras na economia é lenta; leva pelo menos doze meses; e eu não vejo como a popularidade se recuperar antes de 2001’’, afirmou.
Em prazo mais curto, o senador prevê dificuldades para o PFL, o PSDB e o PMDB nas eleições municipais de 2000. ‘‘Se a eleição fosse hoje, ela correria o risco de federalizar-se, virando um plebiscito sobre o governo federal; até outubro do ano que vem, a nossa expectativa é que a situação se acalme e os problemas municipais se sobreponham aos nacionais durante a campanha para os municípios’’, disse Bornhausen.
A prioridade para o partido será tentar ganhar a eleição em São Paulo, com a possível candidatura do ex-ministro da Saúde Adib Jatene, ainda sem filiação partidária. ‘‘Nós percebemos que há um espólio eleitoral deixado pelo ex-governador Paulo Maluf (PPB) e o atual prefeito Celso Pitta (sem partido), que está sem dono’’, disse o senador.
As outras prioridades estabelecidas pelos pefelistas são Porto Alegre, uma vez que a seção gaúcha do partido é a mais fraca do PFL em termos nacionais, e Belo Horizonte, porque na capital mineira o PFL tem expressão apenas no interior mineiro.
De acordo com o presidente do PFL, caso a turbulência econômica dure até 2002, será mais um motivo para acelerar a votação da reforma política, uma bandeira tanto do PFL como do PMDB. Novamente, ele lembra a eleição presidencial de 1989, ganha pelo ex-presidente Fernando Collor de Mello pelo pequeno PRN. ‘‘Não podemos correr o risco de novamente termos na reta final da eleição dois candidatos que são minoritários no Congresso e trazem a ingovernabilidade’’, disse, concluindo. ‘‘A reforma política é vital para diminuir a quantidade dos partidos e dar mais organicidade às candidaturas que forem apresentadas.’’Presidente do partido reforça compromisso com FHC, mesmo admitindo problemas com a queda de popularidade do presidente
Mário CesarDE OLHO EM 2002Bornhausen: sucessão de Fernando Henrique não pode ter mesma estratégia como a que foi adotada em 1989, quando o PFL abandonou Sarney

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