Leandro Donatti
O presidente do diretório regional do PFL no Paraná, o ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, refutou ontem, por telefone, o ataque feito pelos partidos aliados que bombardearam, anteontem, o ‘‘Programa Paraná 2000’’, idealizado pelos pefelistas para manter a hegemonia do partido nas eleições municipais do ano que vem. ‘‘Quem pode mais, chora menos’’, declarou o ex-governador. João Elísio alegou que, para fazer o sucessor do governador Jaime Lerner, em 2002, ‘‘o PFL tem que estar mais forte do que nunca’’.
O ex-governador apresentou a proposta para o governador na noite de segunda-feira, numa reunião no Palácio Iguaçu. João Elísio não gostou das reações manifestadas pelos presidentes do PSB, Severino Nunes Araújo; e do PPB, deputado federal José Janene. Araújo classificou a proposta do PFL de ‘‘arrogante’’. Janene, de ‘‘laranja’’. ‘‘A eleição passada passou. Agora temos que nos organizar. Todos os partidos estão fazendo isso. Se eles estivessem no meu lugar fariam exatamente a mesma coisa’’, disse João Elísio.
O presidente estadual do PFL afirmou que o partido está aberto para alianças, mas frisou que o objetivo é garantir sempre a cabeça de chapa. ‘‘O PFL é o maior partido do Paraná. Tem o governador, o prefeito de Curitiba (Cassio Taniguchi). Não tem porque ir a reboque’’, assinalou. ‘‘Não sou um homem belicoso, mas defendo uma posição. Não estou inovando, apenas brigando pelo fortalecimento de uma sigla’’, emendou. Para João Elísio, o PFL ‘‘é um partido que está na moda’’. ‘‘Tenho de aproveitar o momento.
O deputado federal Affonso Camargo Neto (PFL) se somou aos argumentos de João Elísio Ferraz de Campos, repelindo as críticas dos aliados que, no ano passado, apoiaram a reeleição de Lerner. ‘‘A decisão de lançar candidatos próprios é executiva nacional, que será confirmada pelo comando estadual na reunião desta sexta-feira, quando Jorge Bornhausen vem ao Estado’’, informou. Além da sucessão estadual de 2002, o deputado disse que a busca da hegemonia pefelista faz parte de um projeto nacional, de lançar Lerner a presidente ou a vice.
‘‘A vitória do PPB ou do PPS não interessa ao PFL. No caso do PPS, vai fortalecer uma pré-candidatura à presidência do Ciro Gomes. E assim por diante’’, exemplificou. Affonso Camargo disse entender os constrangimentos pelos quais o governador vai passar diante dos aliados. ‘‘Mas o Lerner vai ter de entender isso. Apesar dos compromissos antigos, o momento agora é de garantir o maior número de vitórias na briga municipal’’, observou o deputado. ‘‘Todo esse processo faz parte do pensamento político do PFL no Estado’’, reforçou. Tanto Affonso Camargo quanto João Elísio prometem para os próximos dias novas filiações como a do prefeito de Londrina, Antônio Belinati, e de outras lideranças de Cascavel e de Maringá, estas duas cidades ainda sem pré-candidatos a prefeito definidos.
Em Ponta Grossa - um dos principais colégios eleitorais do Estado - o PFL já tem candidato a prefeito, assinalou ontem João Elísio. Segundo ele, é o deputado estadual Plauto Miró Guimarães. O deputado, que tem sua base eleitoral composta por segmentos como os dos ruralistas, confirmou ontem a intenção de concorrer em nome da sigla. Em 1996, Guimarães disputou o cargo, mas foi derrotado pelo atual prefeito Jocelito Canto (PSDB).Presidente regional rebate críticas dos partidos aliados, descontentes com o rumo pefelista, e mantém projeto eleitoral
Arquivo FolhaNovos temposAffonso Camargo: Lerner vai ter que entender os constrangimentos que estão por vir - ‘‘os momentos agora são outros’’

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