PFL muda de nome, mas conteúdo deve ser o mesmo
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domingo, 18 de fevereiro de 2007
Rodrigo Lopes<br> Equipe da Folha 
Curitiba - No início do mês, o Partido da Frente Liberal (PFL), um dos mais tradicionais partidos do Brasil pós-redemocratização, decidiu que vai mudar de nome. Tentando oxigenar seus quadros e livrar-se da indesejável imagem de representante a ''direita retrógrada'' brasileira, passará a se denominar Partido Democrata (PD). Alteração que, garantem cientistas políticos, pode até dar uma cara mais moderna ao grupo político, mas não apresentará grandes mudanças no conteúdo programático e no posicionamento ideológico do partido.
Seria uma mudança ''cosmética'', na classificação de Adriano Codato, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ou seja: maquia-se a cara do partido, mas o conteúdo permanece inalterado. Codato explica que, ao longo da história brasileira, certos termos ficaram associados a determinadas posturas políticas.
Durante a ditadura militar, ser apontado como integrante do ''partidão'' era ser taxado de comunista. Isso porque este era o apelido do então extinto Partido Comunista Brasileiro (PCB). Da mesma forma, a sigla PFL acabou sendo associada à direita política conservadora. ''O partido virou sinônimo disso e dificilmente vai conseguir se dissociar desta imagem'', afirma o professor.
A explicação para tal associação, de acordo com Codato, pode ser encontrada na ''árvore genealógica'' do PFL. Partido criado no fim da ditadura militar como uma dissidência do PDS, legenda que por sua vez havia surgido da Arena que apoiava o governo autoritário, a legenda tem como ancestrais grupos como a UDN, o Partido Constitucionalista, o Partido Democrático e o ''primitivo'' Partido Republicano Paulista. Todos ligados à elite econômica brasileira e à direita conservadora.
Agora, como explica o deputado federal Abelardo Lupion, presidente do PFL no Paraná, o partido tenta se desvencilhar desta imagem. ''Queremos acabar com a associação ao coronelismo de uma vez por todas'', explica o parlamentar.
Apesar disso, algumas das estratégias que serão adotadas pelo novo PD mostram que o desvencilhamento pode não ser tão amplo assim. ''Vamos fazer frente ao movimento populista e assistencialista, propostas absurdas que proliferam pela América Latina'', diz Lupion. A defesa das privatizações também está na pauta do recém-criado PD.
Para Adriano Codato, isso comprova a sua tese de que a mudança de nome seria apenas ''cosmética''. ''É curioso que o nome escolhido é parecido ao do Partido Democrático, que era o partido dos barões do café paulistas na década de 1930'', lembra, referindo-se à forte ligação com a direita dos cafeicultores daquela época.


