Rio - Obrigado a enfrentar a realidade de ser, pela primeira vez na vida, um partido de oposição, o PFL prepara uma mudança que vai alterar até o nome da legenda. Na convenção nacional, em junho, a sigla deverá passar a se chamar Partido Popular, seguindo orientação da Internacional Popular, grupo que reúne e dá diretrizes a partidos de tendência liberal de vários países.
O ''treinamento'' dos novos opositores do governo tem como lema não deixar o presidente Lula em paz. ''Temos que estressar o governo'', resume o prefeito do Rio e um dos vice-presidentes do PFL, Cesar Maia. O novo nome já foi discutido e aprovado pela cúpula partidária.
Rejeitar projetos do Executivo, apresentar emendas que obrigam os parlamentares governistas ao constrangimento de reprovar medidas de boa aceitação popular, cobrar eficiência administrativa são alguns mandamentos que os pefelistas estão treinando nesta nova fase.
''A saída para o PFL é deixar a direita e ocupar o espaço de centro, onde hoje está o PSDB'', teoriza Maia. ''Senão, o PT ocupa esse lugar'', Na sua avaliação, hoje o partido do presidente se posiciona à esquerda, mas caminha para o modelo centrista. Um sintoma disso, interpreta o pefelista, seria a política macroeconômica, que em menos de três meses subiu duas vezes as taxas de juros e anuncia a intenção de não criar turbulência nem fugir da ortodoxia. Nessa caminhada para o centro, o PFL, diz Maia, seguirá o modelo do Partido Popular espanhol, que aos poucos foi deixando o conservadorismo, se afastando de franquistas e falangistas e voltando o discurso para temas mais ''progressistas''.

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