PFL já prepara 'plano B': Ciro Gomes
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sábado, 23 de março de 2002
Christiane Samarco e João Domingos Agência Estado 
Brasília - O PFL rompeu com o governo, tem consciência de que está em crise, mas seus líderes garantem que se enganam os que contam com a reconciliação com o Palácio do Planalto. O governo não entendeu que temos nosso projeto de partido e de poder, garante o ex-ministro Roberto Brant (MG). O PFL vai arrastar a candidatura presidencial da governadora Roseana Sarney (Maranhão) enquanto der, mas já trabalha uma alternativa para o caso de ela sair de cena. O plano B do PFL é Ciro Gomes (PPS), em uma parceria com o PTB e o PDT.
Não é de hoje que o candidato Ciro Gomes movimenta-se para atrair o PFL baiano de Antônio Carlos Magalhães e o senador José Sarney (PMDB-AP), na esperança de uma parceria oficial com o PFL e do apoio de dissidentes do PMDB. A aliança com o PFL representaria nada menos do que 8 minutos de cadeia de rádio e televisão gratuita na campanha eletrônica. O maior obstáculo, porém, é o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), que não pode nem ouvir falar em aliança com o PFL.
O PTB e o PDT, porém, têm seus planos para dobrar o velho comunista. Estamos conversando direto com o PFL, a conversa vai muito bem e vamos convencer o Freire a fazer o mesmo, diz, esperançoso, o líder do PTB, deputado Roberto Jefferson (RJ). Ele quer aproveitar o encontro dos três partidos neste fim de semana, em Itaipava (RJ), para pressionar Freire a ceder. Socialistas e trabalhistas estão reunidos com o economista Mangabeira Unger para debater o programa de governo de Ciro Gomes.
Mas a Roseana ainda é uma candidata competitiva para chegar ao segundo turno, ressalva o secretário-geral do partido, deputado José Carlos Aleluia (AL). O baiano faz as contas e não vê nenhum outro candidato em melhores condições do que a governadora. A Roseana está na disputa pelo segundo lugar e isso quer dizer que ela poderá chegar ao segundo turno.
Depois da devassa na empresa Lunus Serviços e Participações, de Roseana e seu marido Jorge Murad, e do estrago provocado pela cena do milhão de reais encontrado no escritório, Roseana vai tentar uma reação. Nos bastidores, porém, a preocupação maior é com o Plano B.
Já os tucanos desdenham dos planos pefelistas, certos de que o partido não vai embarcar em nova aventura. Não há hipótese de se manter a aliança governista até porque querem desembarcar o PFL, têm ódio de nós, os representantes da oligarquia rural e do capital que eles combateram a vida inteira, rebate o coordenador da escola de gestores políticos do partido, o paranaense Alceni Guerra, que participou do início da criação do PSDB. Conheço bem a alma tucana.


