PFL já admite eventual saída de Greca
PARTIDOS PFL já admite eventual saída de Greca Diante de críticas de FHC ao paranaense, comando nacional do partido tem planos para manter participação no governo Arquivo FolhaESTRATÉGIABornhausen: Se amanhã o presidente não quiser mais um ministro é normal. O regime é presidencialista e ele escolhe Christiane Samarco Agência Estado De Brasília O PFL foi surpreendido pelas críticas públicas do presidente FHC ao ministro pefelista do Esporte e Turismo, Rafael Greca, mas não será obstáculo à sua eventual demissão. Diante da confissão presidencial de que foi um erro nomear Greca, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), admite que não há nada que o partido possa fazer para mantê-lo no posto e adianta até que considera normal sua dispensa. Avisa, porém, que nem por isso o PFL abre mão da vaga de seu filiado na Esplanada. Se amanhã o presidente não quiser mais o Waldeck Ornélas na cota pefelista do senador Antônio Carlos Magalhães ou o Greca, é normal; o regime é presidencialista e ele pode escolher os substitutos, diz Bornhausen. Não é bem assim. Greca é reconhecido dentro e fora do PFL como um ministro indicado pelo presidente do partido, embora Bornhausen negue e saliente que prefere até não indicar ninguém no caso de substituição. Mas se o presidente fizer mudança, o nome terá que sair do PFL do Centro-Sul, sentencia. O destino de Greca será selado durante a viagem do presidente Fernando Henrique a Portugal, para o lançamento dos festejos dos 500 anos do descobrimento do Brasil, amanhã. Greca e o presidente nacional do PFL estarão na comitiva presidencial e planejam conversar com Fernando Henrique sobre as conveniências do governo e do partido já durante o vôo. Diante das críticas de Fernando Henrique publicadas pela revista Época desta semana, Greca telefonou a Bornhausen para aconselhar-se e ouviu a sugestão de manter-se na comitiva para esclarecer melhor a questão. Bornhausen deverá repetir as ponderações feitas há pouco mais de um ano, na conversa que teve com o presidente no episódio da indicação de José Sarney Filho (PFL-MA) para o Ministério do Meio Ambiente. A escolha, feita para agradar a aliada que governa o Maranhão, Roseana Sarney (PFL), e seu pai, senador José Sarney (PMDB-AP), teve o discreto patrocínio do senador ACM. Mas como não houve consulta prévia ao partido, ao ser comunicado Bornhausen ponderou ao presidente que o primeiro escalão deveria incluir um pefelista de Pernambuco e outro do Centro-Sul. Tudo para manter o equilíbrio interno de forças no PFL. Considerou-se, à época, um argumento que continua atual: o senador ACM já contabilizava como parte de seu quinhão na Esplanada as cadeiras de ministro da Previdência e das Minas e Energia. A solução dada pelo Planalto foi a nomeação do pernambucano Emílio Carazai para a presidência da Caixa Econômica Federal (CEF), com Greca no Esporte e Turismo. E é exatamente essa distribuição regional do poder que Bornhausen faz questão de manter agora. Um ministro de Estado próximo do presidente garante que também foi surpreendido com as declarações do chefe e que não há nenhuma articulação do Planalto para livrar o governo da presença incômoda de Greca. Que o presidente está insatisfeito com o ministro, eu não tenho dúvidas, mas nada do que ele disse sobre o Greca estava combinado, contou o ministro.





