O presidente Fernando Henrique Cardoso deverá definir esta semana boa parte do ministério a ser empossado no dia 1º, com a confirmação de alguns ministros que estão no governo. Reunido anteontem com Fernando Henrique, o presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães, indicou o ex-prefeito de Curitiba e deputado federal eleito Rafael Greca para o Ministério do Trabalho.
A expectativa é de que o presidente conclua as indicações até 23 de dezembro. Num fim de semana muito movimentado, no Palácio da Alvorada, o presidente reuniu-se, primeiro com o PSDB, quando acertou a volta de uma Secretaria de Articulação Política, com status de ministério, a ser ocupada pelo ex-coordenador da campanha de FHC, Euclydes Scalco, ou por Pimenta da Veiga. O grande problema do presidente é encontrar um titular para o futuro Ministério da Produção.
Ficou decidido ainda o desmembramento do Ministério do Meio Ambiente. A parte relativa aos recursos hídricos poderá até se transformar numa nova pasta para acomodar o senador eleito José Jorge (PFL-PE), atendendo ao grupo liderado pelo vice presidente Marco Maciel. Num encontro com Fernando Henrique, o presidente nacional do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), pediu a manutenção do espaço hoje ocupado pelo partido no primeiro escalão.
Os ministros Renan Calheiros (Justiça) e Eliseu Padilha (Transportes) estão praticamente confirmados nos cargos para o segundo mandato. O que o PMDB quer do presidente é a garantia de que vai ganhar uma terceira pasta, caso seja confirmada a extinção da Secretaria de Políticas Regionais, hoje ocupada pelo goiano Ovídio de Angelis.
Na noite de anteontem, num encontro mais reservado, Fernando Henrique jantou com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Na dança das cadeiras, o PFL quer tornar mais forte a participação do partido no governo. Para isso, tem articulado a troca das pastas que ocupa hoje - Previdência Social, Minas e Energia e Meio Ambiente - por ministérios que possam trazer melhores resultados políticos, como o do Trabalho e o do Planejamento.
Para o Trabalho, os pefelistas sugerem o nome do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca e, para o Planejamento, se a pasta for mantida como é hoje, pode ir o atual ministro da Previdência Social, Waldeck Ornélas.
Hoje, Maciel defendeu uma participação proporcional do PFL à cooperação que o partido tem dado ao governo. Ele avisou que isso não significa mais espaço no ministério. As dificuldades estão na composição de forças, uma vez que o PPB também reivindica para o deputado reeleito Francisco Dornelles o Planejamento.
Outra sugestão do PPB é levar Dornelles para o Ministério das Comunicações, mas o PSDB pretende manter um tucano no comando. Durante esta semana, além de confirmar Calheiros e Padilha, o presidente deve anunciar também a manutenção do pepebista Francisco Turra (Agricultura).
Ontem, Fernando Henrique reuniu-se com o presidente nacional do PV e candidato derrotado a presidente, Alfredo Sirkis, e com o cantor e compositor Gilberto Gil, cotado para o ministério do Meio Ambiente. Ao entrar no Alvorada, Gil disse que ser ministro não depende dele. ‘‘Depende de muita coisa: dos deuses e dos Orixás’’, brincou.
Depois de uma reunião de cerca de duas horas dos líderes tucanos com Fernando Henrique, o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), disse que o presidente ainda não definiu o nome de quem ocupará o Ministério da Produção. Neves avisou que o presidente quer dar ‘‘cara nova’’ ao ministério e defendeu a criação ‘‘de alguma coisa como uma Secretaria da Articulação Política’’, de forma que houvesse uma coordenação política no Palácio do Planalto. ‘‘Seria um anteparo ao presidente’’, declarou Neves.
No caso do Ministério do Planejamento, há também a expectativa de que ele se transforme numa secretaria da Presidência da República, cujo secretário tenha status de ministro.
Continuaria com as funções de Orçamento e planejamento e a parte de política urbana, naturalmente, seria deslocada para o futuro Ministério do Desenvolvimento Urbano, junto com a Caixa Econômica Federal (CEF), pleiteada pelo PFL.
A parte do desenvolvimento regional seria espalhada em vários órgãos e ministérios e a da Defesa Civil poderia ir para o Ministério da Justiça. Amanhã (14), será realizada uma reunião na Casa Civil, com o ministro-chefe Clóvis Carvalho, para discussão da proposta. Hoje, o presidente almoçou com o ministro Paulo Paiva, que poderá deixar o governo.

mockup