Agência Estado
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Tampão só no narizBornhausen (dir.) e Inocêncio (com curativo): PFL não admite mandato-tampão para os ministrosO presidente do PFL, Jorge Bornhausen, levou ontem ao Palácio do Planalto quatro nomes de pessoas do partido, todos sem mandato, para os ministérios da Previdência Social e do Meio Ambiente. A cúpula pefelista agiu rápido, na tentativa de evitar que prospere uma disputa interna com o grupo que ainda insiste em emplacar senadores nas vagas dos ministros candidatos às eleições de outubro.
O comando do PFL acertou três critérios com o presidente: além de capazes e probos, nenhum dos indicados tem mandato eletivo, embora filiados ao PFL, e todos são do Estado de origem dos atuais ministros, que têm de sair até 4 de abril. O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), informou que o presidente do partido levou dois nomes de Pernambuco para substituir o ministro pernambucano Gustavo Krause (Meio Ambiente), e dois outros do Paraná, para o lugar do paranaense Reinhold Stephanes (Previdência). Para o lugar de Krause foram sugeridos Aloísio Sotero e Emílio Carasai e, para a Previdência, os indicados foram Renato Follador e José Carlos Gomes de Carvalho.
‘‘Disse ao presidente que o PFL concorda com as regras que ele estabeleceu e que estamos prontos para que ele proceda a escolha’’, contou Bornhausen, sem confirmar que entregou uma lista de nomes a Fernando Henrique. Ele foi enfático na defesa dos critérios que sustentaram a escolha dos substitutos revelados por Inocêncio. Os quatro nomes apontados têm a chancela da cúpula pefelista, mas no caso pernambucano a escolha foi coordenada pelo vice-presidente Marco Maciel e, no Paraná, quem comandou o processo foi o governador pefelista Jaime Lerner.
O candidato mais forte para o Meio Ambiente é Aloísio Sotero, secretário-geral do Ministério da Educação nas gestões de Maciel e Bornhausen. Emílio Carasai foi secretário da Agricultura de Pernambuco, no governo Maciel, e secretário-geral de Krause na Fazenda. ‘‘Os dois são escolha do vice, mas Sotero é mais identificado com o Marco’’, avaliou o líder.
O governador Lerner sugeriu seu secretário de Previdência, Renato Follador, e também o presidente do PFL do Paraná, José de Carvalho, que também preside a Federação das Indústrias do Estado. O ministro Stephanes tentou emplacar seu secretário-executivo, José Cechin, mas acabou mal visto pela cúpula pefelista porque Cechin está mais próximo do PSDB do que do PFL.
Os substitutos dos ministros candidatos só deverão ser oficializados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no fim do mês. Jorge Bornhausen embarca hoje para Portugal, com o senador Antônio Carlos, e tem volta marcada para o dia 29 de abril. O senador representará o Brasil no encontro de presidentes do Congresso de países de língua portuguesa. ‘‘Não vamos antecipar nomes se está todo mundo cozinhando; apressado come cru’’, argumentou Bornhausen.
Os dois embarcam para Portugal certos de que venceram o grupo que insiste na tese do ministério de senadores, comandado pelo líder do governo no Senado, Élcio Alvares (ES). O líder tem defendido a nomeação do senador Vilson Kleinubing (PFL-SC) para a Previdência, mas se deparou com a resistência ostensiva de Bornhausen, e a oposição de Antônio Carlos Magalhães nos bastidores.
‘‘Eu afirmo que nenhum deputado ou senador será escolhido para o mandato-tampão dos ministros’’, insistiu o líder Inocêncio. Ele admite que houve divergências internas no PFL, mas não ao ponto do que ocorre no PMDB. E fez questão de explicar por que circulava ontem com um curativo cobrindo todo o seu nariz: ‘‘Fiz uma operação para corrigir um desvio no septo nasal’’, contou o líder. ‘‘Nesse tipo de cirugia, é necessário quebrar o nariz do paciente’’.

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