PFL fracassa e eleição acontece amanhã
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2001
Gerson Camarotti e Christiane Samarco Agência Estado De Brasília 
O Congresso viveu ontem um dia de tumulto, com o PFL patrocinando manobras regimentais e ameaças de abertura de inquérito para apurar a suposta compra de deputados pelo PMDB, mas a cúpula pefelista não tem esperança de adiar as eleições para presidente da Câmara, marcada para amanhã, com a sucessão no Senado.
Apesar do nervosismo e da confusão sem precedentes na história das trocas de comando no Congresso, ninguém prevê que a disputa acabe nos tribunais, até para preservar a independência do Legislativo. Todos sabem, porém, que, se a guerra da sucessão terminar amanhã, a disputa na base aliada seguirá acirrada, dificultando a situação do governo no Congresso.
O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), deve indeferir hoje questão de ordem apresentada ontem pelo PFL pedindo a suspensão da eleição para a presidência da Câmara.
Nos bastidores, os dirigentes pefelistas amargavam mais uma tentativa fracassada de inventar um candidato de terceira via para derrotar o presidente nacional e líder do PMDB, Jader Barbalho (PA) na briga pela presidência do Senado. Apesar das pressões do PFL, o senador José Fogaça (PMDB-RS) rejeitou ontem a proposta de sair como um candidato suprapartidário na disputa pela presidência do Senado.
Fogaça era um dos curingas do PFL para enfrentar a candidatura do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) de última hora. Agora, diminui o leque de opções para o lançamento de uma terceira via no Senado, já que outras duas possibilidades, José Sarney (PMDB-AP), e Lúcio Alcântara (PSDB-CE), tornaram-se inviáveis.
Na noite de domingo, a cúpula pefelista chegou a fazer uma reunião na casa do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), em Brasília, chegando a conclusão de que Fogaça seria o melhor nome para a disputa, já que somaria mais votos em todos os partidos. O entusiasmo do PFL foi grande. Estavam na reunião, os senadores Jorge Bornhausen (PFL-SC), José Jorge (PFL-PE) e o ministro do TCU, Guilherme Palmeira.
Eu não serei candidato, enfatizou Fogaça. Só seria candidato pelo meu partido ou de um grupo de peemedebistas, o que não aconteceu, explicou o senador, ao lembrar que, na reunião da bancada do PMDB para escolher o candidato do partido no Senado apenas o senador Roberto Requião votara (PR) contra, enquanto ele preferiu abster-se de votar. Até agora, nenhuma alma viva do PMDB veio me procurar com um pedido para que eu saia candidato, insistiu Fogaça, conferindo o relógio que marcava 18 horas.
Na noite de domingo, o senador gaúcho visitou o colega José Sarney, com quem os pefelistas ainda contam, não mais como candidato e sim como um eleitor influente que pode despejar pelo menos quatro votos na terceira via. Mas na conversa com Fogaça, Sarney foi enfático: repetiu que não seria candidato em nenhuma hipótese e que também não participaria de articulação alguma. A amigos, o ex-presidente da República tem manifestado sua mágoa com Jader Barbalho, a quem acusa de ter colaborado com seu processo de desgaste, o que poderia ter sido evitado.
Não foi a única visita que Sarney recebeu na noite de domingo. Ao mesmo tempo em que recebia os cardeais pefelistas em sua residência, ACM se ausentou da reunião por uma hora, exatamente para ouvir Sarney. Voltou animado, segundo relato de um dos dirigentes do PFL presentes ao encontro.


