PFL fecha questão pelo impeachment
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sexta-feira, 27 de junho de 1997
Agência Estado Florianópolis 
O PFL praticamente selou o destino do governador Paulo Afonso Vieira (PMDB) ao decidir ontem, em reunião da Executiva Estadual, pelo voto favorável ao impeachment do governador e do vice, José Augusto Hulse, e outros integrantes do governo. No início da semana, o presidente nacional licenciado do partido, Jorge Bornhausen, atual embaixador do Brasil em Portugal, havia recomendado voto favorável ao impeachment. Ontem, durante a reunião, enviou um fax reiterando seu posicionamento. Pesquisa encomendada pelo partido ao Instituto Vox Populi, realizada nas três principais cidades catarinenses, indicou que 55% são favoráveis ao afastamento do governador e 48% do vice.
Com a decisão do PFL, dificilmente Paulo Afonso conseguirá votos suficientes para derrubar o processo de impeachment. Se os oito deputados da bancada estadual acatarem a decisão - sob pena de serem expulsos do partido -, os votos favoráveis ao impeachment somam 29, dois a mais do que os necessários para ser aprovado (os outros 21 são do PPB, PT, PSDB e PDT, que já se declararam favoráveis). Para derrubar o projeto, o governador precisa de 14 votos e conta com 11 de sua bancada.
Vamos votar unidos, afirmou o deputado Pedro Bittencourt, presidente estadual do PFL. Nos bastidores, os pefelistas dizem que só não têm a garantia de um voto, o do deputado Ciro Roza. O deputado federal Paulo Bornhausen, filho de Jorge Bornhausen e integrante da executiva, disse ter conversado com Roza e obtido seu voto a favor do impeachment.
Dos oito deputados do PFL que votarão em plenário segunda-feira, pelo menos quatro defendiam a liberação do voto. Em um levantamento feito após a reunião, dos quatro deputados, dois disseram que só definirão seu voto na segunda-feira, quando o plenário da Assembléia vota o pedido de impeachment. Um disse que acompanhará a bancada e outro, apesar de ausente, havia garantido que seguiria a bancada. Por esse levantamento, podem estar garantidos seis votos a favor do impeachment.
O deputado Paulo Bornhausen confirmou ontem que a direção do PFL foi procurada pela cúpula do PMDB nacional. Segundo o deputado, no entanto, a resposta do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (BA), e do líder do governo na Câmara, Luís Eduardo Magalhães (BA), foi de que não interfeririam em processo de outro Estado. O deputado disse também que o presidente Fernando Henrique Cardoso não interferiu.
Paulo Bornhausen defendeu o fechamento de questão, dizendo que o partido é mais do que a bancada, e inclui também os deputados federais, senadores e dirigentes. O escândalo dos precatórios tomou corpo a partir das denúncias feitas no Congresso pelo senador Vilson Kleinubing (PFL-SC).
O deputado Adelor Vieira disse que, ao fechar questão, a executiva protege os deputados do assédio do governo em busca dos votos necessários para barrar o impeachment. O PFL se uniu ao PDMB no segundo turno das eleições de 94 e saiu do governo no início deste ano.
A decisão do PFL, segundo o presidente estadual da sigla, deputado Pedro Bittencourt, foi tomada porque três fatos não estão suficientemente esclarecidos: a autenticidade da ordem de serviço usada para emissão de títulos, a lista dos precatórios e o contrato com o Banco Vetor. Bittencourt observou que a definição tomada não é um julgamento, mas uma decisão pela admissibilidade do processo, sem entrar no mérito. Isso porque a votação de segunda-feira é pela abertura do processo.


