PFL faz propostas para
atenuar crise de emprego
Agência Estado
Lideranças do PFL entregaram ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso documento com sugestões para resolver problemas na área social, principalmente o desemprego. É mais um lance na estratégia traçada pelo partido, que pretende liderar a mobilização dos aliados para reverter a atual queda na popularidade do presidente, apontada pelas pesquisas de intenção de voto. As idéias poderão ser aproveitadas na confecção do programa de um eventual segundo mandato tucano ou para ações imediatas. Mais do que solidariedade a Fernando Henrique, o PFL tenta firmar-se como um partido interessado nas questões sociais. ‘‘Nós sempre mostramos a nossa atuação na área econômica’’, afirmou o vice-presidente do partido, José Jorge (PE). ‘‘Agora, vamos mostrar as nossas idéias nas áreas política e social.’’
Para os pefelistas, a maior preocupação deve ser a criação de empregos. ‘‘A melhoria do quadro atual depende de encontrarmos uma fórmula para simplificar as relações de trabalho’’, ponderou o vice-presidente do partido. ‘‘Isto já aconteceu nos EUA e no Canadᒒ, completou. Segundo ele, as mudanças operadas agora não serão voltadas aos trabalhadores que estão no mercado de trabalho, mas às próximas gerações. José Jorge defendeu modificações nas relações trabalhistas.
‘‘Sempre se diz que o PFL tem força no governo, que é ele quem manda’’, comentou o deputado. ‘‘Eu não acho que seja verdade, mas se o PFL apóia uma coisa, isso terá 50% de chances de ser aprovado.’’ Segundo o líder do partido na Câmara dos Deputados, Inocêncio Oliveira, para combater o desemprego é preciso dar novos estímulos ao setor produtivo, diminuindo as taxas de juros. Um dos integrantes do grupo que foi ao Palácio do Planalto, ele defendeu a criação de um novo programa de habitação para alavancar a geração de novos postos de trabalho. ‘‘A construção de 600 mil casas por ano permitiria a criação de 3 milhões de empregos’’, disse.
O deputado não poupou críticas a algumas das principais ações sociais do governo, como o Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf), voltado para os pequenos agricultores e tratado pelo Executivo como um dos mais importantes na área social. ‘‘É preciso corrigir as distorções no Pronaf. Hoje, 65% dos recursos do programa são distribuídos no sul do País, quando na verdade deveriam ir para o Nordeste’’, afirmou Oliveira.
O Programa de Geração de Emprego e Renda (Proger) também foi alvo dos ataques do líder pefelista. ‘‘O Proger não saiu do papel. O problema desse projeto se chama burocratização’’, disse. Para Inocêncio Oliveira, a culpa é do governo que não conseguiu combater a burocracia estatal.

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