PFL faz governo obstruir sessões extras
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sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001
Doca de Oliveira Agência Estado De Brasília 
A orientação do Palácio do Planalto a seus operadores políticos no Congresso é obstruir as votações até que o PFL decida seu futuro na aliança governista. A decisão é consequência da estratégia do líder do PFL e candidato à presidência da Câmara, Inocêncio Oliveira, na noite de quarta-feira, quando o partido, em seis anos, votou pela primeira vez com a oposição e derrubou a Medida Provisória que fixava o pagamento dos servidores no dia 5 do mês subsequente, o que pode causar prejuízo de R$ 3 bilhões ao governo.
Não se vota nada até que o PFL decida se é oposição ou governo, avisou um ministro. Na sessão de ontem, só foi possível concluir a votação do texto da MP 2.114-75, que trata da aplicação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) falta ainda votar as emendas à proposta. Não houve quórum para mais nada.
A próxima sessão do Congresso para votar as MPs ficou marcada para a terça-feira à noite. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai reunir os líderes da Casa na terça-feira à tarde para tentar colocar em votação a emenda constitucional que limita a edição de medidas provisórias.
O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), deu um puxão de orelhas nos parlamentares pela obstrução da pauta da extraordinária, que, na primeira semana, teve o saldo de apenas 4 das 75 MPs votadas.
Os articuladores de FHC já admitiam a possibilidade de o presidente interferir pessoalmente para encerrar a disputa, que ameaça a coligação governista, caso o PFL continue manobrando para conquistar votos da oposição, impondo novas derrotas ao Planalto. O jogo começou ontem, assistimos ao primeiro round, disse um pefelista.
A hipótese de FHC abandonar sua posição de neutralidade ainda é tratada como a última opção para evitar o desastre total, que seria, na tradução de políticos envolvidos na operação, a formalização de um acordo do PFL com o candidato da oposição à presidência do Senado, Jefferson Peres (PDT-AM). Por enquanto, o apoio ao pedetista não passa de ameaça e o governo não acredita que vá acontecer.
Alguns ministros mantiveram discurso cauteloso e evitaram falar em retirada de cargos federais do PFL. Mas a retaliação não está descartada. Qualquer partido que for para a oposição deveria entregar os cargos e não me refiro só ao Inocêncio, reafirmou o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, repetindo recado de FHC. O discurso não serve só para o PFL, mas também para o PSDB que disputa o apoio da esquerda à eleição para a Câmara.
A operação do governo, inicialmente, vai centrar-se na negociação de uma trégua com os pefelistas. Os articuladores do presidente continuarão conversando nos bastidores dos partidos para costurar uma distensão e forçar o PFL a reassumir a sua posição de aliado. A estratégia, dizem ministros ligados ao presidente, não envolve ultimatos nem truculência política, mas acertos trabalhados com os setores menos passionais dos partidos. Até terça-feira, os bombeiros de FHC esperam ter contornado a rebelião pefelista.


