Brasília - Em nota distribuída ontem, o presidente do PFL, senador licenciado Jorge Bornhausen (SC), afirma que a candidatura do senador José Serra ‘‘está nas mãos de Serra, mas que, na vida pública, a renúncia pode revelar o espírito público do seu autor’’.
No jantar que teve na segunda-feira com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Alvorada, Bornhausen levou a posição do partido contra a candidatura de Serra e comentou dados das recentes pesquisas ‘‘que evidenciam o avanço do candidato do PT (Luiz Inácio Lula da Silva), especialmente na pesquisa espontânea’’.
O presidente do PFL diz na nota que, embora reconheça, ‘‘que a renúncia é um ato unilateral de vontade, há tempo hábil e suficiente para consolidação de uma nova candidatura agregadora politicamente’’. Ainda no encontro que teve com FHC, Bornhausen deixou claro que o PFL não praticará qualquer ação para agravar a atual situação política do País e que está aberto ‘‘para examinar o quadro sucessório sempre que o presidente da República assim o desejar’’.
Ontem, antes de embarcar para Madri, Bornhausen acrescentou que sempre alertou que o candidato à sucessão de FHC não deveria sair do núcleo do governo, pois ficaria sujeito ‘‘à conhecida exaustão do Poder. Além disso, estaria limitado para defender suas posições dado a sua vinculação ao governo. E mais: caso não subisse nas pesquisas, o candidato, para piorar as coisas, poderia derrubar a popularidade do presidente, fator essencial à vitória’’.
Na nota distribuída pelo PFL, Bornhausen diz ter comentado com o presidente Fernando Henrique que ‘‘um bom candidato tem de estar mais para Chirac do que para Jospin’’, numa referência aos dois candidatos que disputaram a eleição domingo na França. De acordo com Borhausen, para ganhar, o candidato tem de agregar politicamente e se comunicar, com facilidade, diretamente com o eleitorado.

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