PFL estréia na oposição batendo no governo Lula
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2003
Raquel Ulhôa<br> Agência Folha 
Brasília Em sua estréia como oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), acusou ontem o Planalto de ''manobras de esvaziamento do Poder Legislativo'' e de fugir às responsabilidades na promoção das reformas previdenciária e tributária.
Em discurso da tribuna do Senado, Bornhausen afirmou que o governo ainda não apresentou o modelo de reformas ou porque ''não tem projetos'' ou porque ''pretende fugir às responsabilidades, escondendo-se atrás de um conselho que ele mesmo escolheu para depois dizer que ''as maldades necessárias' nasceram das idéias dos ilustres conselheiros e não do governo e seu partido''.
Segundo o pefelista, o foro adequado para a discussão das reformas é o Congresso e ele considera uma ''ação temerária'' do governo Lula não enviar logo suas propostas. ''É hora de aproveitar a trégua, ela pode esvair-se rapidamente e com ela irão os três quintos necessários à aprovação das reformas constitucionais'', disse.
Entre as críticas, Bornhausen afirmou que Lula e o seu partido demonstraram ''falta de preocupação com o corte de gastos públicos ao criarem ministérios e secretarias, destinadas, em sua grande maioria, a atender ''companheiros' derrotados nas urnas, não importando as suas qualificações e habilitações''. Ele disse, também, que Lula hoje pratica o aumento de juros tão criticado por seu partido durante a gestão FHC ''sem uma palavra de desculpa ou penitência''.
O discurso do dirigente pefelista provocou comentário irônico do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). ''Senti uma grande realização política de ver o senador Bornhausen, uma única vez na vida, na oposição'', disse. Para Mercadante, o PFL ''pode até estar'' tentando tirar da pauta do Congresso o suposto envolvimento do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) nos grampos telefônicos da Bahia.


