O advogado do PFL, Antônio Figueiredo Basto, entrou ontem com um mandado de segurança na Justiça Eleitoral para ter acesso a todos os documentos investigados pelo Ministério Público (MP) Estadual que apontam para um caixa dois na campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL). Basto justificou seu pedido alegando que não se pode negar o acesso dos advogados da parte interessada aos autos da investigação. O juiz da 1 Zona Eleitoral, Espedito Reis do Amaral, deve analisar o pedido somente na segunda-feira.

Basto argumentou que permitir à defesa o acesso aos documentos não implica em quebra de sigilo e não atrapalha a investigação. ''Quando trabalhei na CPI (do Narcotráfico), recebi vários documentos que eram sigilosos. Sempre mantive o sigilo, utilizando os documentos apenas para instruir a defesa do meu cliente'', comentou.

O advogado pretende também representar criminalmente o promotor José Geraldo Gonçalves e o procurador Munir Gazal, que coordena a equipe de promotores que investiga o caso. O motivo da ação foram as declarações à imprensa de que algumas testemunhas estariam pedindo que seus nomes fossem mantidos em sigilo por temerem por sua segurança. ''Pretendo interpelá-los pessoalmente porque eles insinuaram nos jornais que meu escritório estaria coagindo as vítimas. Eles terão que responder por isso'', afirmou.

Segundo o promotor Marcelo Alvez de Souza, o mandado não alterará a rotina das investigações. Ontem, Munir Gazal assinou um despacho indeferindo um pedido de Basto de ter acesso aos documentos sigilosos. ''Eles podem ter acesso ao material sobre o qual não foi imposto sigilo. Mas é uma prerrogativa do MP, como parte interessada no andamento das investigações, decretar o sigilo.''

Ontem não houve depoimentos no MP. A única visita aos promotores foi a de Cláudio Dalledone Júnior, advogado do tesoureiro de Cassio, Francisco Paladino Júnior, que pediu que fosse mantido sigilo nas declarações de seu cliente.

Na semana que vem a Polícia Federal deve designar um delegado para acompanhar o caso. A PF é responsável pelas investigações que possam implicar em crime eleitoral. Também na próxima semana deve ser sorteado um juiz do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para ser o relator do recurso movido pelo MP que pede a rejeição das contas de Cassio.

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