Leandro Donatti
De Curitiba
O PFL e o PTB vão incentivar ao máximo o lançamento de candidaturas próprias até o final do mês de setembro, quando se encerra o prazo para novas filiações partidárias. Depois disso, os aliados do governador Jaime Lerner (PFL) buscarão arranjo nos municípios do Paraná onde não houver pré-candidaturas pavimentadas. A decisão foi tomada ontem pelo comando das duas siglas, durante reunião-almoço realizada no gabinete do presidente da Assembléia Legislativa, Aníbal Khury (PFL).
Os presidentes regionais do PFL, ex-governador João Elísio Ferraz de Campos, e do PTB, Emerson Palmieri, discutiram a condução do processo, na companhia do presidente nacional do PTB, José Carlos Martinez, e de outras lideranças dos dois partidos. A idéia é preservar a política de boa vizinhança mantida nas últimas eleições entre PTB e PFL e amenizar o mal-estar provocado recentemente com a colisão entre o prefeito Cassio Taniguchi (PFL), e o deputado Beto Richa (PTB) numa briga antecipada pela sucessão da Prefeitura de Curitiba.
‘‘Temos que manter uma margem para acordos de segundo turno’’, aconselhou o anfitrião do almoço, Aníbal Khury. Segundo o deputado, o item da reforma política que acaba com as coligações nas proporcionais, para a eleição de vereadores, ‘‘obriga’’ os partidos de médio e grande porte a buscarem caminhos próprios. ‘‘Isso é natural. O que está em jogo é a sobrevivência no Legislativo’’, alertou. O deputado disse que essa tendência terá de ser digerida pelo Palácio Iguaçu que, em 98, contou com o apoio de PTB e PFL.
‘‘Se eles (Jaime Lerner e Cassio Taniguchi) não se conscientizarem, é porque falta formação política’’, observou o presidente da Assembléia. A tese de ANíbal encontrou receptividade, tanto no PFL como no PTB. Até o início de outubro, o discurso será voltado à auto-valorização de cada sigla. O PTB voltou a frisar que lança candidato próprio em Curitiba. ‘‘Temos o Algaci Túlio, o Ricardo Chab, o Beto Richa e o Carlos Simões. Quem estiver melhor nas pesquisas será o candidato’’, salientou o comando petebista.
O Palácio Iguaçu tenta manter distância desse processo. A avaliação de fontes ligadas a Lerner é de que o governador acha a discussão do assunto prematura - falta mais de um ano para as eleições municipais - e a reforma política ainda está muito incipiente.
O PTB assumiu tanto o discurso de independência que ontem anunciou uma nova costura política que tenta colocar o procurador-geral do Estado, ex-deputado Joel Coimbra, como candidato do partido à Prefeitura de Maringá. O pré-lançamento tem por objetivo fazer frente à transferência do atual prefeito Jairo Gianoto para o PFL, a convite do governador. O comando petebista fez ainda novo convite ao presidente da Assembléia, para retornar ao PTB. ‘‘O Aníbal é o nosso candidato ao governo em 2002’’, disse o comando petebista.
O vice-presidente regional do PFL, deputado federal Abelardo Lupion, confirmou a disposição do partido em aderir ao processo. ‘‘O PFL e PTB têm oito meses para promover costuras, a contar de outubro. Até lá não faremos acordo com ninguém. Cada sigla terá de fazer a sua parte’’, ressaltou o deputado.Reforma partidária, que forçará siglas a trilhar caminhos próprios, interferiu na decisão. Negociação fica para o 2º turno
Arquivo FolhaCAMINHO NATURALAníbal (PTB): ‘‘O que está em jogo é a sobrevivência’’Arquivo FolhaCAMINHO PRÓPRIOLupion (PFL): ‘‘Cada sigla terá de fazer a sua parte’’

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