'PFL e PSDB não têm moral para dar lição de ética', diz Lula
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sexta-feira, 06 de outubro de 2006
Leonencio Nossa<br>Agência Estado 
Petrolina - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avisou ontem em Petrolina, cidade pernambucana às margens do Rio São Francisco, no semi-árido, que não vai deixar o adversário Geraldo Alckmin (PSDB) falar ''grosso'' sobre ética e corrupção no debate de domingo na ''TV Bandeirantes''. Depois de uma carreata, na vizinha Juazeiro, na Bahia, ele fez uso político mais uma vez do dossiê Vedoin, que antes condenou e disse ter sido montado por ''aloprados''. ''A questão das sanguessugas começou em 2001, quando (José) Serra era o ministro da Saúde deste País'', atacou. De todas as prefeituras envolvidas (nas fraudes de compra de ambulâncias), 80% delas são do PFL e do PSDB.''
Pouco antes, Lula tinha recebido a informação de que o deputado eleito Ricardo Berzoini (PT-SP) tinha anunciado o afastamento da presidência do PT. A saída de Berzoini, na avaliação de assessores do presidente, era necessária para que Lula pudesse argumentar no debate que um influente citado no escândalo do dossiê foi punido pelo partido. ''Se querem discutir ética, vamos discutir'', disse Lula, ainda em Juazeiro. ''Nem PFL nem PSDB têm moral para dar lição de ética em quem quer que seja.''
Lula afirmou que o ex-ministro dele da Saúde Humberto Costa foi vítima de uma ''armação'' às vésperas do primeiro turno, quando foi indiciado por suposto envolvimento com os sanguessugas. Diferentemente do que disse o presidente, Humberto Costa, derrotado na eleição para o governo de Pernambuco, foi indiciado pela Polícia Federal por causa de outro escândalo na saúde, o esquema do vampiros, que superfaturava hemoderivados.
O presidente comemorou a derrota de ACM. Lula abusou de citações místicas nos discursos, enfatizou a origem nordestina cumprimentos na rua e estendeu o braço para ter as mãos beijadas por simpatizantes durante a carreata. Envolvido pelo clima das ruas de Juazeiro, o presidente chegou a dizer ter orgulho até da memória do pai, seu Aristides Inácio da Silva, algo que não costuma fazer, para destacar a origem nordestina. ''Devo muito a São Paulo; e tenho orgulho de dizer que corre nas minhas veias o sangue nordestino de minha mãe, de meu pai e de minha gente.'' Wagner disse que os adversários de ACM fizeram ''barba, cabelo e bigode'' no primeiro turno, elegendo também o senador - João Durval (PDT). ''O único imbatível que eu conheço está lá em cima'', ironizou Wagner.
Lula acusou a oposição de crime eleitoral. Ele exibiu santinhos falsificados em que sua imagem aparece com o número 45, de Alckmin. ''Tem um grupo político paraguaio, falsificado'', reclamou, sem dar importância à diplomacia com o Paraguai. ''Tenho cara de tudo, mas não tenho cara de tucano'', ironizou. ''Todo mundo sabe que meu número é o 13, do Zagallo.''
Parafraseando o ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill (1874-1965), o presidente disse que tudo que conquistou foi com ''sangue, suor e lágrimas''. Ele voltou a dizer que aceita a proposta da oposição de discutir ética, mas sempre em tom de ameaça. ''Sou uma pessoa tradicionalmente respeitosa, por isso vou ao debate da forma mais civilizada possível para discutir os problemas deste País'', afirmou. ''A única coisa que peço é que não falem grosso comigo, falem como eu falo''.


