Arquivo FolhaAlencar: ‘FHC nunca falhou’O Rio de Janeiro é um dos Estados onde a aliança nacional entre PSDB e PFL pode criar problemas na disputa para o governo. Marcello Alencar, candidato à reeleição pelo PSDB e o ex-prefeito César Maia, do PFL, estabeleceram um ponto em comum: velhos inimigos, não vão deixar de se bater, mas nenhum dos dois quer se indispor com o presidente Fernando Henrique Cardoso, um puxador de votos.
Alencar garante que não vai exigir o apoio ostensivo do presidente. ‘‘Cobrar do presidente que ele seja um cabo eleitoral não passa de um papel assumido pelos políticos inseguros’’, declarou. O governador, no entanto, não esconde que espera de Fernando Henrique ao menos declarações públicas favoráveis à sua candidatura. ‘‘O presidente nunca falhou comigo quando eu pedi’’, disse Alencar. ‘‘Recentemente, ele fez questão de divulgar um encontro reservado na minha casa’’.
Arquivo FolhaMaia: preparando o ataque
O encontro aconteceu na última viagem de Fernando Henrique ao Rio, em julho, quando ele e Alencar almoçaram com o publicitário Duda Mendonça, contratado pelo governador para cuidar da divulgação de sua gestão. Duda ficou encarregado de criar uma campanha publicitária em cima dos projetos do governo federal e casada com a administração de Mário Covas (PSDB), em São Paulo.
O deputado federal Ronaldo Cezar Coelho (PSDB-RJ), um dos líderes do partido e que é cotado para disputar o Senado, acha que o apoio de Fernando Henrique virá naturalmente, pois tanto o presidente como o governador estarão exercendo seus mandatos e terão inúmeras ocasiões oficiais para aparecer juntos em público. ‘‘Não vamos precisar juntar o Marcello e o presidente no mesmo palanque, até porque esta história de palanque está fora de moda: o que conta mesmo é a televisão’’, afirmou Ronaldo Cezar.
Sempre surpreendente, o ex-prefeito César Maia garantiu não estar preocupado com o uso da imagem do presidente por seu principal adversário: ele jurou que não pretende utilizar Fernando Henrique como garoto-propaganda. ‘‘Minha campanha vai ser totalmente regionalizada’’, afirmou. ‘‘Vou falar dos problemas do Rio e da administração caótica do Marcello Alencar - e só usarei a imagem do presidente se for necessário defendê-lo de algum adversário’’. César disse que nem pretende tocar no Plano Real. Segundo ele, a aprovação ao plano já é unânime e não interessaria ao eleitor fluminense ficar repisando nesse tema.
Para ele, seria ingenuidade tanto dele quanto de Alencar imaginar que a aliança nacional condicionaria os planos regionais. ‘‘Não podemos constranger o presidente, que não está interessado em promover alianças regionais’’, apontou. ‘‘O Fernando Henrique sabe que a unidade pode não ser o melhor caminho: afinal, em vários Estados, como aqui, ele ganha ou ganha, não importa se comigo ou com Alencar’’.
Com a figura de Fernando Henrique preservada, a estratégia de César Maia será a de atacar, e muito, o governo Marcello Alencar. Vai defender que foi a pior administração vivida pelo Rio - e diz até temer pela sorte do PSDB nas eleições proporcionais. ‘‘Acho que o PSDB não conseguirá eleger uma bancada federal e estadual do mesmo tamanho da atual’’, previu. E, se o presidente der mesmo apoio explícito a Alencar, César acredita que, ao invés de favorecer o candidato do PSDB, ele vai perder votos no Rio. ‘‘Um dedo que o Fernando Henrique encoste no Marcello significa 1% de votos perdidos no Rio para a sua candidatura à presidência da República’’, fulminou.
Um bom conhecedor da política fluminense, o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), adversário de Alencar e de César Maia, não concorda com o ex-prefeito. Para ele, o presidente só correrá riscos de perder votos no Rio se, até as eleições, tiver caído do atual patamar de popularidade. ‘‘O presidente não vai disputar votos nos Estados: ele é quem será disputado e ninguém vai querer ficar mal com o presidente’’, afirmou. ‘‘Se ele decidir, por exemplo, apoiar o César Maia, o Marcello terá de engolir esse porco-espinho calado’’.
No Espírito Santo, o PSDB está mais preocupado do que no Rio com a posição que o presidente irá assumir. O ex-prefeito de Vitória, Paulo Hartung, atualmente na diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é apontado como favorito para o governo do Estado. Mas tem pela frente o líder do governo no Senado, Élcio Álvares (PFL), e o ex-governador Gerson Camata (PMDB).
Na avaliação dos tucanos capixabas, não é improvável que Fernando Henrique prefira trabalhar pela candidatura de um aliado com maior projeção nacional, com Álvares ou Camata, em detrimento de Hartung, apesar de o ex-prefeito ter deixado o governo municipal com 80% de aprovação da população. O governador Marcello Alencar, porém, acha que o presidente não falhará com seu partido. ‘‘Não acredito que o presidente faça uma opção contra o Paulo Hartung, considerado um jovem em ascensão no partido’’, ponderou.

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